O programa NH90 está a preparar uma das mais profundas evoluções desde a entrada em serviço do helicóptero, com o prolongamento da vida operacional de 30 para 50 anos, a modernização de mais de 200 unidades, novas capacidades de guerra electrónica e conectividade, integração com drones e o desenvolvimento de uma futura configuração Block 2 destinada a responder às necessidades dos campos de batalha para lá de 2040.
As novidades foram apresentadas durante os Airbus Helicopters MDays 2026, em Marignane, numa sessão acompanhada pela Aviação TV dedicada à evolução do NH90 nas variantes TTH, destinada essencialmente a operações terrestres, e NFH, vocacionada para operações navais.
Um dos desenvolvimentos mais importantes passa pelo prolongamento da vida útil da plataforma. O NH90 foi inicialmente qualificado para 30 anos de operação, mas os estudos realizados concluíram ser possível aumentar esse período para 50 anos e atingir as 20.000 horas de voo.
A confirmação formal ainda depende da conclusão do processo documental, que deverá decorrer nos próximos meses. De acordo com a apresentação, dentro de um a dois anos deverá ser possível formalizar definitivamente esta extensão.
Na prática, os primeiros clientes que começaram a receber NH90 nos anos 2000 poderão continuar a operar os helicópteros durante a década de 2050. Mais significativo ainda é o horizonte para os aparelhos actualmente em produção: os NH90 entregues durante o final desta década e início da próxima poderão permanecer operacionais nas décadas de 2070 e 2080.
A evolução do programa já está também presente nas novas configurações entregues aos operadores. A Alemanha começou a receber o NH90 Sea Tiger, a mais recente configuração NFH desenvolvida para a Marinha alemã e especialmente preparada para guerra antissubmarina.
Foram encomendados 31 Sea Tiger, que se juntam aos 18 NH90 NFH já existentes. Quando todas as entregas estiverem concluídas, a Alemanha deverá dispor de 49 NH90 navais. As primeiras unidades Sea Tiger foram entregues no final de 2025 e o programa de entregas deverá prolongar-se até aproximadamente 2030/2031.
Também a França começou a receber uma das configurações TTH mais avançadas até agora desenvolvidas. Em julho deste ano foi entregue o primeiro NH90 TTH Standard 2 destinado às Forças Especiais francesas.
A nova configuração introduz capacidades específicas para operações especiais, incluindo uma nova disposição das metralhadoras em posições mais recuadas nas duas laterais do helicóptero. Esta solução permite libertar as portas principais, facilitando a entrada e saída das tropas.
Foram igualmente introduzidos novos sistemas electro-ópticos e preparada a integração de capacidades adicionais, incluindo evoluções dos sistemas de autoprotecção e novos equipamentos destinados às tripulações. No total deverão ser entregues 18 NH90 TTH nesta configuração às Forças Especiais francesas.
Espanha reforçou igualmente a aposta no programa através de uma nova encomenda de 31 NH90 TTH. Somada às encomendas anteriores, deverá elevar a futura frota espanhola para 76 helicópteros, colocando Espanha entre os principais operadores europeus do NH90.
Paralelamente às novas entregas, está em desenvolvimento o denominado Block 1, associado à evolução SWR3. Apesar da designação relacionada com software, trata-se de uma modernização muito mais abrangente do que uma simples actualização informática.
O programa pretende introduzir novas capacidades de conectividade, interoperabilidade, transmissão de dados e guerra electrónica nas variantes TTH e NFH. Alemanha, Itália, Bélgica e Países Baixos encontram-se envolvidos nesta fase.
Os dois primeiros protótipos NH90 SWR3 começaram a voar em 2026 e a qualificação das novas capacidades deverá começar a partir de 2028. Mais de 200 NH90 deverão ser modernizados, num processo que decorrerá ao longo de vários anos.
Uma das demonstrações tecnologicamente mais relevantes envolve a ligação entre o NH90 e sistemas não tripulados.
Foi já testado o sistema HTeaming, através do qual um operador no interior de um NH90 pode controlar remotamente um drone através de um tablet.
Durante os testes realizados com um NH90 TTH francês e um Flexrotor, o operador conseguiu comandar o drone à distância e, simultaneamente, receber em tempo real as imagens captadas pelos seus sensores.
O conceito permite, por exemplo, enviar um drone cerca de 15 quilómetros à frente do helicóptero para efectuar o reconhecimento de uma área potencialmente perigosa. O Flexrotor utilizado nos ensaios possui uma autonomia superior a dez horas, permitindo manter o NH90 afastado da zona de maior risco enquanto o sistema não tripulado realiza missões de reconhecimento e vigilância.
Segundo a apresentação, os ensaios demonstraram com sucesso tanto o controlo do drone como a transmissão em directo das imagens para o interior do helicóptero.
Mas os drones representam simultaneamente uma oportunidade e uma ameaça. Os operadores estão a pedir soluções que permitam proteger os NH90 contra pequenos sistemas não tripulados, sobretudo perante as lições retiradas dos conflitos actuais.
Durante a apresentação foi salientada a necessidade de evitar que um helicóptero de vários milhões de euros possa ser neutralizado por um drone que custa apenas alguns milhares. A protecção contra drones tornou-se, por isso, uma das prioridades de curto prazo.
Os clientes procuram igualmente aumentar as possibilidades de armamento das variantes TTH e NFH e encontrar formas de ligar os helicópteros aos diferentes sistemas não tripulados que já integram os seus arsenais.
A transformação mais profunda deverá chegar com o futuro Block 2, apresentado como a evolução de meia-vida do programa e, conceptualmente, uma espécie de “NH90 2.0”.
Em julho de 2026, a NHI assinou com a NAHEMA um estudo de arquitectura destinado a definir as possibilidades desta futura configuração. O objectivo é apresentar diferentes cenários aos países participantes, equilibrando capacidades, custos e prazos de desenvolvimento.
O Block 2 está a ser pensado especificamente para responder às necessidades do campo de batalha a partir de 2040.
Um dos seus principais pilares será uma nova arquitectura de aviónica modular. Desta forma, se no futuro for necessário instalar uma nova rádio, câmara, sensor electro-óptico ou outro equipamento, apenas uma parte limitada da aviónica terá de ser modificada, em vez de ser necessário alterar todo o sistema.
O resultado deverá traduzir-se em modernizações mais rápidas, simples e menos dispendiosas, algo particularmente importante num helicóptero que poderá permanecer operacional durante 50 anos.
A manutenção constitui outro dos grandes pilares. Segundo os dados apresentados, o esforço de manutenção já foi reduzido em aproximadamente 20%, estando prevista uma redução adicional de cerca de 15%.
Para o Block 2, a intenção é ir ainda mais longe, estudando um plano de manutenção completamente novo, com utilização de dados e ferramentas de manutenção preditiva para antecipar intervenções, aumentar a disponibilidade das frotas e reduzir custos operacionais.
Outro elemento fundamental será a conectividade. O futuro NH90 deverá funcionar cada vez mais como parte de uma rede de combate que inclui tropas, navios, outros helicópteros, sistemas de comando e controlo, drones e a denominada combat cloud.
O Block 2 deverá ainda analisar formas de melhorar as prestações do NH90, através de optimizações nos motores, transmissão e consumo de combustível, procurando aumentar o alcance, o raio de acção ou a velocidade.
Durante a sessão surgiu ainda a possibilidade de utilização futura de um rotor principal com cinco pás. O responsável pelo programa esclareceu, contudo, que essa solução não faz actualmente parte do plano, mantendo-se a configuração de quatro pás.
Com novas configurações já a entrar ao serviço na Alemanha e França, uma importante encomenda espanhola, mais de 200 helicópteros previstos para modernização e o Block 2 em estudo, o NH90 prepara-se para atravessar várias gerações tecnológicas.
A estratégia passa por combinar o prolongamento da vida da plataforma com nova aviónica, guerra electrónica, manutenção preditiva, maior conectividade e integração com sistemas não tripulados.
Se o prolongamento para 50 anos for formalmente confirmado, alguns dos NH90 que estão agora a ser produzidos poderão continuar em operações militares até às décadas de 2070 e 2080.





