A Airbus Helicopters apresentou nos MDays 2026, em Marignane, França, uma demonstração do HTeaming, um sistema que permite às tripulações de helicópteros controlar drones em voo, receber imagens em tempo real e coordenar operações de vigilância, reconhecimento e busca e salvamento. A tecnologia poderá transformar a forma como são realizadas missões civis e militares.
Durante a apresentação, acompanhada pela Aviação TV, os responsáveis da Airbus Helicopters demonstraram o funcionamento de uma solução que permite estabelecer uma ligação entre um helicóptero e diferentes sistemas aéreos não tripulados, através de um tablet instalado na cabine.

O HTeaming foi desenvolvido para aumentar as capacidades operacionais dos helicópteros, permitindo que os drones funcionem como sensores avançados, capazes de observar áreas situadas a grandes distâncias antes da chegada do helicóptero.
Um tablet para controlar vários drones
Um dos aspetos centrais da demonstração foi a possibilidade de gerir diferentes drones através de uma única interface.
No ecrã do tablet, o operador consegue visualizar a posição dos equipamentos num mapa, selecionar o drone que pretende controlar e acompanhar diretamente as imagens transmitidas pelas respetivas câmaras.
A interface permite estabelecer ou interromper ligações, assumir o controlo dos equipamentos, modificar trajetórias e selecionar diferentes funções de observação.
Durante a demonstração foram apresentados os sistemas Flexrotor e Aliaca, dois drones da Airbus destinados a missões de vigilância e reconhecimento.

O operador pode acompanhar as imagens recolhidas pelos equipamentos, selecionar objetivos e ajustar o enquadramento das câmaras.
Entre as funcionalidades demonstradas encontram-se o zoom, a identificação de objetos, o acompanhamento de alvos e a possibilidade de manter uma câmara estabilizada sobre determinado ponto, mesmo quando o drone continua a deslocar-se.
A Airbus destacou a simplicidade da interface, concebida para reduzir a carga de trabalho das tripulações e permitir que as operações sejam realizadas sem comprometer as tarefas principais de pilotagem.
Transmissão de imagens em tempo real
Um dos maiores desafios tecnológicos identificados pela Airbus é garantir uma ligação de dados estável entre o helicóptero e os drones.
Ao contrário de uma estação de controlo localizada no solo, o helicóptero encontra-se permanentemente em movimento num ambiente tridimensional.
Os drones também se deslocam, frequentemente a diferentes altitudes e velocidades. Esta situação obriga a desenvolver sistemas de comunicação capazes de manter a transmissão de dados e vídeo com uma latência muito reduzida.

A localização das antenas, a potência de transmissão e a distância entre os equipamentos são fatores determinantes.
Segundo os responsáveis pelo programa, um dos objetivos técnicos é permitir ligações a distâncias que poderão atingir cerca de 20 milhas náuticas, aproximadamente 37 quilómetros.
Esta capacidade permitiria utilizar os drones como sensores avançados, observando antecipadamente uma determinada área e transmitindo informações diretamente para a cabine do helicóptero.
Na prática, a tripulação passa a dispor de informação visual sobre zonas que ainda não consegue observar diretamente.
Câmaras para operações diurnas e noturnas
A tecnologia apresentada permite trabalhar com diferentes sistemas eletro-ópticos, incluindo câmaras convencionais e sensores de infravermelhos.
O operador pode alternar entre os modos de observação, consoante as características da missão. As câmaras permitem identificar objetos, acompanhar movimentos e manter a observação de pontos específicos durante o voo.
A Airbus explicou que esta capacidade é particularmente importante em operações realizadas durante a noite ou em condições de visibilidade reduzida.
Foram também referidas missões de vigilância de incêndios realizadas em França durante o verão, demonstrando a utilidade dos sistemas não tripulados na observação prolongada de grandes áreas.
Durante a apresentação foi igualmente explicado que algumas limitações observadas nas imagens estavam relacionadas com as condições e altitudes utilizadas nos ensaios.
Em condições operacionais mais favoráveis, os sistemas de estabilização das câmaras permitem obter imagens com maior qualidade.
Flexrotor pode permanecer em voo durante 14 horas
A autonomia dos drones constitui uma das principais vantagens desta tecnologia. O Airbus Flexrotor consegue permanecer em voo durante aproximadamente 12 a 14 horas, dependendo da configuração e dos equipamentos instalados. Já o Aliaca apresenta uma autonomia que pode atingir cerca de seis horas.
Estas características permitem manter uma vigilância prolongada sem necessidade de utilizar continuamente um helicóptero tripulado. Durante uma missão de busca e salvamento, por exemplo, um drone pode ser enviado antecipadamente para uma determinada área e permanecer no local durante várias horas.

Ao identificar uma pessoa desaparecida ou uma situação que exija intervenção, as imagens e a localização podem ser transmitidas ao helicóptero de salvamento. A tripulação recebe informação atualizada antes de chegar ao local, podendo preparar a operação e identificar possíveis obstáculos.
Segundo a Airbus, esta forma de funcionamento evita utilizar os helicópteros durante longos períodos exclusivamente em tarefas de pesquisa. O helicóptero pode ser mobilizado quando a sua presença é efetivamente necessária para realizar o salvamento.
Uma nova abordagem às operações de busca e salvamento
Os responsáveis da Airbus apresentaram vários cenários operacionais que poderão beneficiar do HTeaming. Numa missão de busca e salvamento, os drones podem iniciar a pesquisa várias horas antes da chegada do helicóptero.
Quando é identificada uma pessoa em perigo, o helicóptero desloca-se diretamente para a localização indicada. Caso seja necessário realizar várias viagens para transportar pessoas resgatadas, o drone pode continuar a vigiar a área. Desta forma,mantém-se um acompanhamento permanente da situação, mesmo quando o helicóptero se afasta temporariamente.
A Airbus considera que esta coordenação poderá melhorar a eficiência das operações, reduzir os tempos de resposta e aumentar a segurança das equipas de salvamento.
A utilização conjunta de helicópteros e drones representa também uma forma de aproveitar melhor os recursos disponíveis, especialmente em operações prolongadas ou realizadas em áreas de difícil acesso.
Aplicações militares em ambientes hostis
O HTeaming foi igualmente desenvolvido para responder às necessidades das forças armadas. Durante a apresentação, a Airbus destacou a possibilidade de utilizar drones em missões de reconhecimento antes da entrada de helicópteros em áreas potencialmente perigosas.
Um exemplo apresentado envolve o transporte de tropas para zonas hostis. Antes da aproximação do helicóptero, os drones podem realizar missões de vigilância para identificar possíveis ameaças.
Durante a aterragem e o desembarque dos militares, os sistemas não tripulados podem continuar a observar a área envolvente.
Esta fase é considerada particularmente crítica, uma vez que o helicóptero apresenta maior vulnerabilidade quando se encontra próximo do solo.
A utilização de drones permite manter uma observação contínua sem expor imediatamente o helicóptero e a respetiva tripulação. As imagens recolhidas podem ajudar os militares a identificar movimentos suspeitos e a tomar decisões com maior rapidez.
A Airbus considera que estas capacidades poderão representar uma vantagem importante nas operações militares modernas.
Dois sistemas de observação adicionais sem modificar profundamente o helicóptero
Outro aspeto destacado durante a demonstração foi a possibilidade de aumentar significativamente as capacidades de observação de um helicóptero sem instalar novos sensores pesados na própria estrutura.
Ao controlar dois drones equipados com câmaras eletro-ópticas, a tripulação passa a beneficiar de dois sistemas adicionais de observação.
Estes sensores encontram-se nos drones e não no helicóptero. Segundo os responsáveis da Airbus, esta solução permite aumentar as capacidades operacionais com um impacto relativamente reduzido sobre a plataforma tripulada. A arquitetura do HTeaming foi concebida para facilitar a instalação em diferentes modelos de helicópteros.
O sistema utiliza uma interface de controlo, equipamentos de comunicação e antenas destinadas à transmissão de dados. A filosofia do projeto assenta na compatibilidade com diferentes plataformas, não ficando limitada a um único modelo de helicóptero ou drone.
Sistema poderá ser instalado em helicópteros existentes
A Airbus confirmou que o HTeaming foi desenvolvido segundo uma arquitetura modular.
Esta característica permite disponibilizar a tecnologia tanto em helicópteros novos como através de programas de modernização de equipamentos já em serviço. A solução poderá funcionar de forma autónoma, através do tablet, ou ser integrada nos sistemas de missão do helicóptero.

Durante a apresentação foi explicado que a primeira versão standard está prevista para disponibilização comercial em 2026.
A Airbus pretende igualmente desenvolver novas funcionalidades que permitam integrar diferentes equipamentos não tripulados.
O objetivo é oferecer aos operadores uma solução flexível, adaptável às necessidades de cada missão e compatível com diferentes plataformas.
Ligação entre helicópteros e drones poderá evoluir
A Airbus considera que o HTeaming representa apenas uma primeira etapa no desenvolvimento da cooperação entre meios tripulados e não tripulados.
As futuras versões poderão permitir gerir equipamentos adicionais, incluindo outros tipos de drones e sistemas lançados a partir de plataformas aéreas.
A evolução da tecnologia poderá também aumentar os níveis de autonomia e permitir uma coordenação mais avançada entre diferentes equipamentos.
Para a fabricante, o principal objetivo não é simplesmente permitir que uma tripulação controle remotamente um drone.
A intenção é integrar os sistemas não tripulados nas operações dos helicópteros, aproveitando as capacidades de observação e reconhecimento dos drones para melhorar a execução das missões.
Esta abordagem permite ampliar a área de operação, reduzir a exposição das tripulações a situações perigosas e aumentar a eficiência dos recursos disponíveis.
Airbus aposta numa nova geração de operações aéreas
A demonstração realizada nos MDays 2026 evidenciou a importância crescente da cooperação entre helicópteros e drones. Ao permitir que uma tripulação tenha acesso direto às imagens de vários sistemas não tripulados, a Airbus pretende oferecer uma capacidade de observação muito superior à que seria possível utilizando apenas os sensores do helicóptero.
As aplicações abrangem operações militares, vigilância marítima, proteção civil, acompanhamento de incêndios e missões de busca e salvamento. A Airbus Helicopters está a trabalhar com diferentes operadores para definir os conceitos operacionais mais adequados à utilização desta tecnologia.
A fabricante reconhece que se trata de uma nova ferramenta cujas possibilidades continuam a ser exploradas.
Com o HTeaming, os drones deixam de funcionar exclusivamente como equipamentos independentes e passam a poder integrar diretamente as operações dos helicópteros.
A apresentação em Marignane mostrou como a cooperação entre meios tripulados e não tripulados poderá assumir um papel cada vez mais importante no futuro da aviação militar e das operações de emergência.
Aviação TV | MDays 2026 | Marignane, França





