A 23 de outubro de 1906, o brasileiro Alberto Santos-Dumont protagonizou um dos momentos mais importantes da história da aviação ao conseguir levantar voo a bordo do seu 14-bis, no Campo de Bagatelle, em Paris.

Perante mais de mil espectadores e representantes do Aeroclube de França, o aparelho descolou pelos seus próprios meios e percorreu cerca de 60 metros, a uma altitude aproximada de três metros, num voo que durou apenas sete segundos.

O 14-bis era um biplano construído com materiais leves, incluindo bambu, seda japonesa e alumínio. Tinha 12 metros de envergadura, cerca de 160 kg de peso vazio e estava equipado com um motor Antoinette de 50 cavalos de potência.

A demonstração constituiu um marco na história da aviação, pelo seu carácter público e pela presença de uma comissão oficial, numa época em que vários pioneiros procuravam demonstrar a viabilidade do voo motorizado.

Poucas semanas depois, a 12 de novembro de 1906, Santos-Dumont voltaria a fazer história, percorrendo 220 metros em aproximadamente 21 segundos, estabelecendo um novo recorde oficialmente reconhecido.

Embora os irmãos Wright já tivessem realizado voos motorizados em 1903, a demonstração pública de Santos-Dumont representou um passo decisivo para o reconhecimento e desenvolvimento da aviação na Europa.

Em Portugal, o Museu do Ar, em Sintra, preserva a memória deste feito através de uma réplica do histórico 14-bis.

120 anos depois, o voo de Santos-Dumont continua a representar a coragem, a inovação e a determinação dos pioneiros que ajudaram a conquistar os céus.