A 24 de outubro de 2003, o Concorde realizou o seu último voo comercial de passageiros, encerrando um capítulo histórico da aviação civil marcado pela velocidade supersónica e pelo prestígio de uma das aeronaves mais emblemáticas de sempre.

O último voo transatlântico da British Airways partiu de Nova Iorque com cerca de 100 convidados e celebridades a bordo, aterrando no Aeroporto de Heathrow, em Londres, às 16h05 locais. Milhares de pessoas acompanharam a chegada, numa despedida marcada por aplausos e emoção. Nesse mesmo dia, outros dois Concorde tinham aterrado em Heathrow, após voos especiais com passageiros convidados.

À chegada, as tripulações acenaram com bandeiras britânicas a partir das janelas dos cockpits, perante a multidão reunida para assistir ao momento. Para muitos passageiros e admiradores, a retirada do avião representava o desaparecimento de uma experiência de viagem única.

Durante a sua carreira comercial, o Concorde tornou possível atravessar o Atlântico em aproximadamente três horas e meia, voando a velocidades de até Mach 2, cerca de 2.172 km/h, e a altitudes próximas dos 18.000 metros.

A decisão de retirar a aeronave de serviço foi tomada pela British Airways e pela Air France, responsáveis pela sua exploração comercial. Os custos operacionais crescentes, a diminuição da procura e as consequências do acidente de julho de 2000, junto ao Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, no qual morreram 113 pessoas, contribuíram para o fim das operações.

O diretor executivo da British Airways na altura, Rod Eddington, resumiu o sentimento vivido naquele dia como uma combinação de tristeza e celebração. Apesar de continuar a impressionar pela sua aparência e desempenho, o Concorde tinha sido concebido na década de 1950 e construído nos anos seguintes, tornando cada vez mais difícil justificar a sua operação comercial.

A retirada do Concorde, cuja tarifa por bilhete podia atingir cerca de 9.000 libras, pôs termo a 27 anos de voos comerciais supersónicos. O último voo da aeronave da Air France tinha ocorrido em maio de 2003.

Também o Aeroporto de Lisboa recebeu diversas vezes a visita dos Concorde da Air France e da British Airways, imagens que fazem parte do arquivo de imagens da Aviação TV:

Mais do que o fim de um avião, aquele dia simbolizou o encerramento de uma era em que a aviação comercial ultrapassou a barreira do som e transformou radicalmente a forma de viajar entre a Europa e a América do Norte. O Concorde deixou de transportar passageiros, mas permaneceu como um dos maiores símbolos de inovação, engenharia e ambição da história da aviação.