As aeronaves que descolam para norte do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, deverão passar a utilizar trajetórias diferentes até ao final de 2026. A alteração pretende diminuir a exposição ao ruído do tráfego aéreo, sobretudo nas áreas residenciais dos concelhos de Loures e Vila Franca de Xira.

A medida resulta de uma proposta apresentada pela NAV Portugal – Navegação Aérea de Portugal no verão de 2025, entretanto aprovada pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC). As estimativas apontam para uma redução de aproximadamente 35 mil pessoas no número de habitantes afetados pelo ruído das aeronaves.

Novas trajetórias procuram reduzir o impacto nas populações

A necessidade de rever os procedimentos de descolagem está relacionada com as alterações introduzidas no sistema de circulação aérea em maio de 2024. Desde então, as aeronaves que partem para norte passaram a utilizar um ponto de referência situado na zona de Alverca, antes de prosseguirem o voo, modificando os percursos anteriormente realizados, em grande medida, sobre o rio Tejo.

A reorganização gerou contestação por parte de residentes expostos ao ruído das operações aéreas. A solução agora aprovada prevê deslocar as rotas ligeiramente para oeste, procurando afastar parte do tráfego das áreas habitacionais mais afetadas.

Apesar da redução prevista, a alteração não eliminará o problema. Mais de 200 mil pessoas nos municípios de Lisboa, Loures e Vila Franca de Xira são abrangidas pelo impacto acústico associado às operações do aeroporto, embora os níveis de exposição variem consoante a localização e as trajetórias utilizadas.

Programa de apoio à proteção acústica dos edifícios

A revisão das rotas integra um conjunto mais amplo de iniciativas destinadas a minimizar os efeitos do ruído da aviação nas comunidades próximas do Aeroporto Humberto Delgado.

Entre essas medidas encontra-se o programa governamental Menos Ruído, que dispõe de uma verba de 10 milhões de euros para apoiar a instalação de soluções de isolamento acústico em edifícios residenciais sujeitos a maior exposição sonora.

O financiamento está previsto para 2026 e 2027 e será distribuído através dos quatro municípios abrangidos pelo programa. A iniciativa procura melhorar as condições de conforto acústico nas habitações, complementando as medidas operacionais destinadas a alterar a distribuição do ruído provocado pelas aeronaves.

A implementação das novas trajetórias deverá, assim, constituir mais uma etapa na resposta às preocupações das populações afetadas pelo tráfego aéreo na região de Lisboa, mantendo-se o desafio de conciliar a atividade aeroportuária com a qualidade de vida dos residentes.

Foto: @the.lppt.spotter09