A SATA Holding recebeu oito manifestações de interesse na aquisição da Azores Airlines, no âmbito do atual processo de privatização da companhia aérea açoriana.
O anúncio foi feito esta terça-feira pela SATA Holding, que recorda que o procedimento em curso prevê a alienação de uma participação de pelo menos 75% do capital social da Azores Airlines.
De acordo com as regras estabelecidas no Caderno de Encargos do processo de negociação particular, os potenciais investidores tinham até 6 de setembro de 2026 para entregar um conjunto de documentos destinados a comprovar a sua idoneidade e capacidade para participar no processo.
Entre os elementos exigidos encontravam-se o Formulário de Idoneidade e Compliance (FIC), uma declaração relativa à capacidade financeira e uma declaração que confirmasse o interesse efetivo na operação.
A SATA Holding irá agora analisar a documentação apresentada, com o objetivo de verificar se os oito interessados cumprem as condições de participação definidas no Caderno de Encargos.
Os candidatos que sejam considerados elegíveis passarão à fase seguinte do processo e serão convidados a apresentar propostas não vinculativas até 21 de setembro de 2026.
Privatização resulta de compromisso com Bruxelas
O processo de venda da Azores Airlines está relacionado com as condições impostas pela Comissão Europeia na sequência da aprovação, em junho de 2022, de uma ajuda estatal portuguesa destinada à reestruturação da companhia.
O apoio aprovado por Bruxelas ascendeu a 453,25 milhões de euros, através de empréstimos e garantias do Estado português. Entre as medidas previstas encontrava-se a reorganização da empresa e a redução da participação pública, através da venda de uma posição de controlo.
O processo anterior de privatização acabou por ser encerrado pelo Governo Regional dos Açores sem qualquer adjudicação.
A decisão surgiu depois de o júri do concurso ter recomendado a não aceitação da única proposta considerada admissível, apontando para a existência de “riscos inaceitáveis”, nomeadamente devido às condições previstas num acordo parassocial, à possibilidade de redução da participação pública e à experiência da equipa apresentada no setor da aviação.
A proposta tinha sido entregue, em 24 de novembro de 2025, pelo Atlantic Connect Group, um consórcio constituído pelos empresários Carlos Tavares, Tiago Raiano, Paulo Pereira e Nuno Pereira.
O grupo propunha pagar 17 milhões de euros por 85% do capital da Azores Airlines.
Já em março de 2026, o Atlantic Connect Group avançou com uma providência cautelar destinada a contestar a exclusão da sua proposta e o encerramento do anterior concurso de privatização.
Prejuízos continuam elevados
A situação financeira da Azores Airlines continua a ser um dos principais elementos em análise no processo de privatização.
No primeiro semestre de 2026, a companhia registou um prejuízo de 37,1 milhões de euros. Apesar do resultado negativo, trata-se de uma melhoria face aos 41,1 milhões de euros de perdas contabilizados no mesmo período de 2025.
A existência de oito potenciais interessados marca agora uma nova etapa no processo de privatização, que deverá avançar para a apresentação de propostas não vinculativas ainda durante este mês.





