Um Airbus A320neo da Air India perdeu a pressão dos seus três sistemas hidráulicos enquanto voava a 36.000 pés de altitude, num incidente que provocou ferimentos em 24 pessoas. A ocorrência, inicialmente comunicada às autoridades como um encontro com turbulência, está agora a ser investigada como um problema técnico.
O incidente aconteceu a 4 de agosto de 2026, durante o voo AI2379, entre Phuket, na Tailândia, e Nova Deli, na Índia. O Airbus A320neo, com a matrícula VT-EXO, transportava 145 pessoas.
De acordo com o relatório preliminar do Aircraft Accident Investigation Bureau (AAIB) da Índia, a aeronave encontrava-se em cruzeiro quando o sistema de controlo de voo detetou, às 04:02:43 UTC, uma perda de pressão hidráulica no sistema verde.
Apenas quatro segundos depois, foram registadas também perdas de pressão nos sistemas azul e amarelo. Os três sistemas hidráulicos do A320neo são independentes, dispondo de reservatórios separados e não existindo transferência de fluido entre eles.
O piloto automático desligou-se às 04:02:48 UTC. Três segundos mais tarde, foi ativado um aviso de perda de sustentação, que permaneceu ativo durante cerca de dois segundos.
O copiloto, que estava aos comandos da aeronave no momento da ocorrência, reagiu inicialmente à situação, antes de o comandante assumir o controlo.
Durante o episódio, o A320neo subiu 372 pés acima da altitude atribuída e posteriormente desceu 292 pés abaixo dessa altitude, resultando numa excursão vertical total de 664 pés.
Sistemas hidráulicos recuperaram em poucos segundos
A situação, contudo, foi relativamente curta. A pressão do sistema azul foi recuperada por volta das 04:02:52 UTC, seguindo-se a recuperação dos sistemas amarelo e verde alguns segundos depois.
A recuperação da pressão permitiu restabelecer o funcionamento dos comandos de voo da aeronave.
O relatório preliminar refere que o avião tinha sido autorizado a operar a partir de Phuket com um item da Minimum Equipment List (MEL) relacionado com a Power Transfer Unit (PTU), que tinha sido diferido a 28 de julho.
A PTU constitui uma fonte auxiliar de pressão para os sistemas hidráulicos verde e amarelo. Apesar de registar esta condição da aeronave, o AAIB não estabelece, nesta fase da investigação, qualquer relação entre o item diferido e a perda de pressão dos três sistemas hidráulicos.
24 pessoas receberam assistência médica
No momento da ocorrência, os sinais de cintos de segurança encontravam-se desligados.
Como consequência da alteração da trajetória e da movimentação dentro da cabine, 20 passageiros e quatro tripulantes de cabine necessitaram de assistência médica após a aterragem. Quatro passageiros sofreram ferimentos considerados graves e foram hospitalizados.
Apesar do incidente, a tripulação decidiu prosseguir o voo até Nova Deli, onde o avião aterrou às 05:30 UTC.
A aeronave apresentava vários danos no interior da cabine, incluindo painéis do teto fissurados, portas dos compartimentos superiores deslocadas, um manípulo de uma saída de emergência danificado e a sanita de um lavatório arrancada da respetiva fixação.
Nem a tripulação nem o controlo de tráfego aéreo reportaram condições meteorológicas adversas durante o voo.
Comandante teve resultado positivo num teste toxicológico
A investigação revelou ainda outro elemento que está a ser analisado pelas autoridades.
Como o voo teve origem fora da Índia, os dois pilotos foram submetidos a exames médicos após a chegada a Nova Deli, de acordo com os requisitos da autoridade indiana de aviação civil, a DGCA.
Os testes de alcoolemia apresentaram resultados satisfatórios para ambos. No entanto, o teste de rastreio de substâncias psicoativas realizado ao comandante apresentou um resultado positivo.
Uma análise laboratorial de confirmação efetuada a partir de uma amostra de sangue apresentou igualmente um resultado positivo. O relatório preliminar não identifica a substância detetada.
O copiloto apresentou resultados negativos nos dois testes.
O AAIB emitiu entretanto uma recomendação de segurança provisória à DGCA para que sejam tomadas medidas relacionadas com o consumo de substâncias psicoativas por pessoal da aviação, classificando a situação como uma preocupação séria.
Contudo, o relatório não estabelece qualquer ligação entre o resultado do teste do comandante e a perda de pressão dos três sistemas hidráulicos.
Investigação às causas continua
Os investigadores recolheram componentes dos sistemas hidráulicos e amostras do fluido hidráulico da aeronave, que serão submetidos a análises para determinar a origem da anomalia.
Especialistas da Airbus também examinaram o A320neo entre 13 e 15 de agosto. A análise contou com o envolvimento do Bureau of Enquiry and Analysis for Civil Aviation Safety (BEA), a autoridade francesa responsável pela investigação de acidentes e incidentes na aviação civil.
O relatório divulgado pelo AAIB é preliminar e não determina ainda a causa da perda simultânea de pressão nos três sistemas hidráulicos. A investigação deverá prosseguir até que sejam identificadas as circunstâncias e os fatores que estiveram na origem da ocorrência.





