A Ryanair terminou o primeiro semestre do seu exercício financeiro de 2027 com um lucro de 2.150 milhões de euros, menos 15% do que no período homólogo do ano anterior. A companhia aérea atribui esta quebra sobretudo ao aumento dos custos com combustível e à redução das tarifas médias praticadas.
De acordo com os resultados divulgados esta segunda-feira, 2 de Novembro, a transportadora irlandesa registou um crescimento de 6% no número de passageiros entre Abril e Setembro, transportando um total de 125,8 milhões de pessoas.
Apesar do aumento do tráfego, a receita média por passageiro recuou 3%. A tarifa média diminuiu 4%, fixando-se nos 55,70 euros, enquanto as receitas provenientes de serviços complementares permaneceram estáveis.
A pressão sobre a rentabilidade foi também acentuada pela evolução dos preços do combustível. O custo do combustível não coberto por operações de cobertura financeira (hedging) duplicou durante o semestre, aproximando-se dos 130 dólares por barril.
No conjunto dos primeiros seis meses do exercício, as receitas da Ryanair aumentaram 3%, para 10.080 milhões de euros. Contudo, os custos operacionais cresceram a um ritmo bastante superior, subindo 10% para 7.690 milhões de euros.
No segundo trimestre fiscal, correspondente à época alta do Verão, o lucro líquido diminuiu 6%, para 1.610 milhões de euros. Neste período, a companhia transportou 64,5 milhões de passageiros, mais 5% do que no trimestre equivalente do ano anterior.
Entre Abril e Setembro, as receitas provenientes da venda de bilhetes totalizaram 7.000 milhões de euros, representando um crescimento de apenas 1%. O aumento do número de passageiros compensou parcialmente o efeito da redução das tarifas.
Conflito no Médio Oriente condiciona perspectivas de crescimento
A instabilidade no Médio Oriente continua a representar uma preocupação para a Ryanair. A companhia considera que a situação geopolítica está a levar os consumidores a adiar as reservas de viagens, criando pressão adicional sobre os preços dos bilhetes.
Embora tenha garantido antecipadamente, através de operações de hedging, cerca de 80% das necessidades de combustível previstas para o exercício financeiro de 2027, a transportadora decidiu rever em baixa as suas estimativas de crescimento do tráfego.
A Ryanair prevê agora transportar 214 milhões de passageiros no exercício que termina em Março de 2027, correspondendo a um crescimento de aproximadamente 3% face ao ano fiscal anterior. A nova estimativa fica abaixo dos 216 milhões de passageiros inicialmente previstos.
Para o exercício seguinte, a companhia mantém a expectativa de alcançar os 220 milhões de passageiros anuais. Este crescimento deverá ser apoiado pela entrada ao serviço de 16 aeronaves Boeing 737 MAX 10, cuja incorporação na frota está prevista a partir da Primavera de 2027.
Combustível poderá representar mais dois mil milhões de euros em custos
As perspectivas para os próximos anos continuam, contudo, condicionadas pela evolução dos preços da energia e pela duração do conflito no Médio Oriente.
A Ryanair admite que os encargos adicionais com combustível poderão atingir os 2.000 milhões de euros no exercício financeiro de 2028, caso a instabilidade na região se prolongue.
Perante este cenário, a companhia está a reavaliar os acordos estabelecidos com aeroportos e os contratos laborais, procurando limitar o impacto da subida dos custos na sua estrutura operacional e preservar a competitividade do seu modelo de baixo custo.





