O Grupo Lufthansa, que apresentou a proposta vencedora para a aquisição de 44,9% do capital da TAP, registou o trimestre mais forte da sua história em termos de receitas, alcançando 12,2 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 9% face ao período homólogo. O resultado operacional ajustado (Adjusted EBIT) também aumentou, atingindo 1,4 mil milhões de euros, mais 6% do que no mesmo período de 2025, apesar do agravamento significativo dos custos com combustível.

Entre Julho e Setembro, a subida dos preços do combustível representou um encargo adicional de 543 milhões de euros para o grupo alemão. Ainda assim, a forte procura no transporte aéreo de passageiros e de carga, aliada a uma gestão rigorosa dos custos, permitiu compensar este impacto e melhorar os resultados operacionais.

A procura manteve-se particularmente forte nas ligações de longo curso, sobretudo para a Ásia e América do Norte, bem como no segmento de passageiros premium. Nas companhias aéreas de rede do grupo, os preços médios dos bilhetes aumentaram 7% relativamente ao terceiro trimestre do ano anterior.

Também a Eurowings beneficiou da evolução positiva da procura nas ligações europeias, registando um aumento de 8% nos preços médios praticados.

Lufthansa Cargo triplica resultado operacional

Um dos destaques dos resultados trimestrais foi o desempenho da Lufthansa Cargo, que conseguiu triplicar o seu resultado operacional ajustado, passando de 49 milhões de euros no terceiro trimestre de 2025 para 162 milhões de euros no mesmo período de 2026.

A divisão de carga aumentou a capacidade em 5% e o volume de mercadorias transportadas em 7%, melhorando simultaneamente a taxa de ocupação em três pontos percentuais. Os preços médios do transporte de carga registaram uma subida de 22% face ao período homólogo, num contexto de procura elevada, também influenciado pela situação geopolítica no Médio Oriente.

A Lufthansa Technik apresentou igualmente uma evolução expressiva. A divisão de manutenção, reparação e revisão de aeronaves alcançou receitas de 2,3 mil milhões de euros, mais 20% do que no ano anterior. O resultado operacional ajustado subiu 54%, para 200 milhões de euros, face aos 130 milhões registados no terceiro trimestre de 2025.

Companhias aéreas de rede enfrentam pressão nos custos

As companhias aéreas de rede do grupo aumentaram a capacidade disponível em 1,6% durante o terceiro trimestre, com especial incidência nas operações de longo curso para a América do Sul, África e alguns destinos asiáticos.

Apesar de uma subida de 6,8% nos preços médios dos bilhetes, a taxa de ocupação recuou 1,3 pontos percentuais. As receitas unitárias aumentaram, ainda assim, 5,2%.

O aumento dos custos com combustível, superior a 400 milhões de euros neste segmento, pressionou os resultados. O resultado operacional ajustado das companhias aéreas de rede fixou-se nos 853 milhões de euros, menos 108 milhões do que no terceiro trimestre de 2025.

A SWISS, a Austrian Airlines e a Brussels Airlines conseguiram superar os resultados do período homólogo. Já a Lufthansa Airlines continuou condicionada pelos custos mais elevados do combustível e por encargos de aproximadamente 65 milhões de euros relacionados com as greves ocorridas durante o primeiro semestre.

Por sua vez, a Eurowings registou um aumento de 16 milhões de euros no resultado operacional ajustado, que atingiu 214 milhões de euros no trimestre, beneficiando da forte procura nas ligações intra-europeias.

Grupo mantém solidez financeira e revê previsão anual

No final de Setembro, o Grupo Lufthansa apresentava uma posição de liquidez de 11,8 mil milhões de euros, enquanto a dívida líquida, incluindo responsabilidades com pensões, se situava nos 7,3 mil milhões de euros, abaixo dos 8,3 mil milhões registados no final de 2025.

O fluxo de caixa livre ajustado nos primeiros nove meses do ano atingiu 1,8 mil milhões de euros, praticamente em linha com o valor do período homólogo.

Apesar da evolução positiva da procura, o grupo reviu a sua previsão de resultados para o conjunto de 2026, apontando agora para um resultado operacional ajustado entre 1,7 e 2 mil milhões de euros.

O director financeiro, Till Streichert, explicou que a factura anual de combustível deverá atingir os 9,3 mil milhões de euros, reflectindo a manutenção dos preços elevados e a situação geopolítica internacional. Ainda assim, destacou que a cobertura de aproximadamente 86% das necessidades de combustível das companhias aéreas de passageiros para 2026 permite reduzir a exposição à volatilidade do mercado.

O CEO do Grupo Lufthansa, Carsten Spohr, considerou que os resultados demonstram a capacidade do grupo para compensar o aumento dos custos através do crescimento das receitas e da disciplina financeira. Sublinhou também que os investimentos na modernização da frota e dos produtos a bordo começam a produzir resultados.

O responsável acrescentou, contudo, que a prioridade continua a ser a recuperação financeira da Lufthansa Airlines, através de medidas adicionais destinadas a reforçar a rentabilidade da principal marca do grupo.