A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou a realização de inspeções periódicas em 77 aeronaves Boeing 787 que operam em diferentes países, na sequência da identificação de uma possível vulnerabilidade estrutural que poderá, em determinadas circunstâncias, originar fissuras.

A decisão consta da Diretiva de Aeronavegabilidade AD 2026-17-02, publicada no Diário Oficial norte-americano a 27 de agosto. A medida abrange alguns exemplares das versões 787-8, 787-9 e 787-10, não sendo aplicável a toda a frota mundial do Dreamliner.

A diretiva entra em vigor a 1 de outubro de 2026 e deverá abranger 17 aeronaves registadas nos Estados Unidos e outras 60 fora do país, num universo mundial superior a 1.100 Boeing 787.

Problema identificado durante uma investigação da Boeing

A origem da medida remonta a 2019, quando a Boeing detetou uma questão relacionada com um procedimento utilizado para determinar a dimensão de calços — pequenas peças ou lâminas colocadas entre componentes para compensar espaços antes da instalação dos elementos de fixação.

A investigação do fabricante revelou que determinados procedimentos de fabrico poderiam provocar forças de pré-carga superiores às previstas na zona inferior de algumas placas de união da fuselagem, junto à área exterior da asa.

Caso as juntas não respeitem as tolerâncias estabelecidas no projeto e sejam submetidas a forças excessivas durante a montagem, poderão surgir condições favoráveis ao aparecimento de fissuras de fadiga junto aos orifícios dos elementos de fixação.

O problema assume particular importância por envolver componentes integrados numa zona estrutural primária da asa. Se uma fissura não for detetada e continuar a desenvolver-se, poderá reduzir a resistência da estrutura e, em situações extremas, afetar a capacidade da aeronave para suportar as cargas previstas durante o voo.

A FAA considera, por isso, necessário acompanhar de forma periódica as aeronaves abrangidas.

Boeing já alterou o processo de fabrico

A Boeing introduziu entretanto alterações no processo de produção e, em agosto de 2025, distribuiu novas instruções aos operadores dos aviões potencialmente afetados.

A nova diretiva da FAA transforma essas recomendações numa obrigação regulamentar para as aeronaves abrangidas.

É importante salientar que a decisão não significa que tenham sido detetadas fissuras em todos os aviões envolvidos, nem implica a suspensão das operações. A medida tem natureza preventiva e pretende garantir que eventuais sinais de fadiga estrutural sejam identificados antes de poderem evoluir para um problema de maior dimensão.

Que inspeções terão de ser realizadas?

Os trabalhos previstos variam consoante a configuração de cada Boeing 787. Entre os procedimentos exigidos encontram-se inspeções ultrassónicas repetitivas a vários componentes estruturais, incluindo determinadas placas de união, elementos das longarinas e pontos utilizados para apoio dos macacos hidráulicos.

Está também prevista a realização de inspeções visuais e técnicas detalhadas às placas de união identificadas pela Boeing.

Se forem encontrados danos, os operadores terão de executar as ações corretivas determinadas, que poderão incluir reparações.

Os procedimentos e os intervalos entre inspeções estão definidos no boletim de requisitos da Boeing B787-81205-SB570048-00 RB, publicado em 11 de agosto de 2025.

Quando for necessária uma reparação que implique a intervenção da Boeing, esta terá de ser realizada através de um procedimento aprovado de acordo com os requisitos da FAA.