A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) está a avançar com o processo de certificação do E2TS, uma tecnologia desenvolvida pela Embraer para os modelos E190-E2 e E195-E2 que permite automatizar algumas das etapas iniciais da descolagem, nomeadamente a rotação e a subida.

A expectativa é que a certificação seja concluída até outubro de 2026. A concretizar-se, o sistema poderá representar um marco na aviação comercial, ao introduzir um novo nível de automatização numa fase crítica da operação.

Segundo o presidente da ANAC do Brasil, o objetivo do E2TS não é substituir os pilotos, mas aumentar a precisão e a consistência das descolagens, sobretudo em aeroportos onde existem limitações de pista ou outras restrições operacionais.

Apesar da automatização, a tripulação mantém o controlo da aeronave e pode assumir a operação a qualquer momento. O sistema foi concebido para interromper automaticamente a sua atuação caso seja detetada uma falha, permitindo que os pilotos prossigam manualmente a descolagem de forma segura.

A nova tecnologia poderá também reforçar a posição competitiva da família E2 perante o Airbus A220, particularmente em operações para aeroportos com características mais exigentes. Entre os exemplos estão London City, em Londres, Florença e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, onde as limitações operacionais tornam particularmente relevante a capacidade de otimizar as fases de descolagem.

A eventual aprovação pela autoridade brasileira será, contudo, apenas uma das etapas do processo. Para que o E2TS possa ser utilizado de forma generalizada, será ainda necessário obter certificações junto de outras autoridades aeronáuticas, além de estabelecer os procedimentos operacionais e a formação específica das tripulações.