A Federal Aviation Administration (FAA) dos Estados Unidos concedeu à Boeing o certificado de tipo alterado para o novo Boeing 737-7, autorizando oficialmente a entrada em serviço comercial da mais pequena variante da família 737 MAX.

A certificação representa um marco importante para o fabricante norte-americano, culminando vários anos de desenvolvimento, ensaios e processos de validação regulamentar.

Stephanie Pope, presidente e CEO da Boeing Commercial Airplanes, afirmou que esta aprovação confirma a robustez do projeto e reconhece o trabalho desenvolvido pela equipa responsável pelo programa 737 MAX.

Segundo a responsável, engenheiros e especialistas em ensaios enfrentaram diversos desafios ao longo do processo, incluindo os impactos da pandemia de COVID-19 e a adaptação às novas exigências de certificação, mantendo sempre o foco na segurança e no cumprimento de todos os requisitos regulamentares.

Anos de testes e validação

O programa de certificação do 737-7 teve início em 2018 e incluiu uma extensa campanha de testes destinada a demonstrar que a aeronave cumpre todos os regulamentos aplicáveis à aviação comercial.

Entre os trabalhos realizados destacam-se:

  • Mais de 1.000 horas de testes em voo e em terra;
  • Avaliações aprofundadas da segurança dos sistemas e dos fatores humanos;
  • Introdução de uma versão atualizada do sistema de anti-gelo dos motores, desenvolvida para resolver uma condição identificada durante os ensaios de voo.

Mike Sinnett, vice-presidente sénior de Estratégia de Produto, Desenvolvimento de Produto e Programas de Desenvolvimento da Boeing, salientou que a empresa manteve um diálogo contínuo e transparente com a FAA durante todo o processo de certificação. Segundo o responsável, a experiência adquirida permitirá acelerar futuros programas de desenvolvimento, com uma atenção ainda maior aos fatores humanos, à segurança e à qualidade.

Preparação para as primeiras entregas

Com a certificação agora concluída, a Boeing e a Southwest Airlines, cliente lançador do 737-7, iniciaram os preparativos para a entrega das primeiras aeronaves.

As equipas da fabricante estão a finalizar a configuração definitiva dos primeiros aviões que serão entregues à companhia aérea.

A FAA atualizou igualmente o Certificado de Produção n.º 700 (PC 700) da Boeing, passando este a incluir oficialmente o modelo 737-7.

A variante de maior alcance da família 737 MAX

O Boeing 737-7 é a versão mais pequena da família 737 MAX, mas também a que oferece maior autonomia.

Configurado com duas classes, pode transportar entre 135 e 160 passageiros e possui uma autonomia máxima de cerca de 3.800 milhas náuticas (7.040 quilómetros).

Comparativamente aos aviões que normalmente substitui, o fabricante indica que o 737-7 reduz o consumo de combustível e as emissões de CO₂ em cerca de 20%, além de diminuir a pegada sonora em aproximadamente 50%. A aeronave foi igualmente concebida para operar com elevada eficiência em aeroportos situados a grande altitude e em regiões de clima quente.

Família 737 MAX continua a crescer

Até ao final de junho de 2026, a carteira de encomendas da família Boeing 737 MAX ultrapassava as 7.200 aeronaves, das quais mais de 2.300 já tinham sido entregues.

A gama inclui atualmente quatro variantes principais:

  • 737-8 – capacidade para 160 a 180 passageiros e autonomia até 6.480 quilómetros;
  • 737-9 – acomoda entre 175 e 195 passageiros, com alcance até 6.110 quilómetros;
  • 737-10 – a maior versão da família, com capacidade para 185 a 210 passageiros e autonomia até 5.740 quilómetros. A Boeing continua a trabalhar na certificação deste modelo, cuja aprovação é esperada ainda durante este ano.

Com a entrada em serviço do 737-7, a Boeing completa mais um passo importante na expansão da família 737 MAX, reforçando a sua oferta para o segmento dos voos de curto e médio curso.