Os destroços do Clipper Endeavor, um avião da Pan American Airways (Pan Am) cujo acidente levou à introdução das atuais demonstrações obrigatórias de segurança antes dos voos comerciais, foram encontrados 74 anos depois de terem desaparecido no Oceano Atlântico, ao largo de Porto Rico.
A aeronave, um Douglas DC-4, despenhou-se a 11 de abril de 1952, poucos minutos após a descolagem, na sequência de uma falha de motores que obrigou a tripulação a realizar uma amaragem de emergência.
Embora todos os ocupantes tenham sobrevivido ao impacto inicial na água, o avião afundou rapidamente. A dificuldade em localizar os coletes salva-vidas e as jangadas de emergência provocou uma elevada perda de vidas humanas: dos 69 ocupantes – 64 passageiros e cinco tripulantes – apenas 17 sobreviveram, tendo morrido 52 pessoas.
A descoberta foi realizada por uma expedição liderada pela Air/Sea Heritage Foundation, em parceria com o programa Expedition Unknown, do Discovery Channel, recorrendo a um drone autónomo equipado com sonar.
Os destroços foram localizados a cerca de 610 metros de profundidade, numa área do Atlântico ao largo de Porto Rico. A aeronave encontrava-se partida em duas secções e, durante uma inspeção fotográfica posterior, foi possível identificar claramente o logótipo da Pan Am e o nome Clipper Endeavor ainda visíveis na fuselagem.

A procura intensificou-se depois de os investigadores encontrarem documentos históricos, incluindo um mapa desenhado por pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos que testemunharam o acidente em 1952. A combinação desses registos com dados meteorológicos da época permitiu reduzir a área de busca para cerca de dez milhas náuticas quadradas.
Uma tentativa para localizar os destroços em 2024 teve de ser cancelada devido ao mau estado do mar, mas a equipa regressou este ano determinada a encontrar a aeronave antes do 75.º aniversário do acidente. O drone identificou os destroços logo na primeira passagem sobre a zona de pesquisa, a 2 de junho.
Acidente mudou as regras da aviação
O desastre do Clipper Endeavor marcou um ponto de viragem na segurança da aviação comercial.
Na sequência da investigação, passaram a ser obrigatórias as demonstrações de segurança antes de todos os voos comerciais, nas quais os tripulantes explicam a localização das saídas de emergência, dos coletes salva-vidas e a forma correta de os utilizar. Também foram introduzidos novos requisitos relativos aos equipamentos de flutuação existentes a bordo.
Atualmente, estas demonstrações fazem parte da rotina de qualquer voo comercial em todo o mundo, sendo consideradas uma consequência direta das lições retiradas deste acidente.
Uma investigação iniciada por uma etiqueta de bagagem
O presidente da Air/Sea Heritage Foundation, Russ Matthews, interessou-se pelo caso em 2019, depois de ler a história de uma etiqueta de bagagem pertencente ao voo que tinha dado à costa na Florida décadas após o acidente.
Convencido de que um episódio tão importante para a história da aviação estava praticamente esquecido, iniciou uma investigação baseada nos relatórios oficiais da então Civil Aeronautics Board, antecessora da atual Federal Aviation Administration (FAA).
A descoberta dos destroços poderá também renovar a esperança das famílias de passageiros de outros aviões desaparecidos no mar, como o voo Malaysia Airlines MH370, desaparecido em 2014 com 239 pessoas a bordo e que continua por localizar.
A expedição e a descoberta do Clipper Endeavor serão mostradas num episódio especial do programa Expedition Unknown, com estreia prevista para este outono.





