A Amazon decidiu suspender temporariamente as operações realizadas pela companhia aérea de carga 21 Air, responsável pelo voo de um Boeing 767 que sofreu um acidente no Aeroporto Internacional de Miami, nos Estados Unidos, no passado dia 6 de setembro. O acidente provocou a morte de cinco pessoas em terra.
A decisão foi comunicada pela Amazon a 13 de setembro, depois de a empresa ter acompanhado a investigação ao acidente e analisado as circunstâncias relacionadas com a operação. Durante este período, a companhia afirma ter concentrado esforços no apoio às autoridades responsáveis pela investigação.
Com a suspensão, as cargas que estavam previstas para ser transportadas pela 21 Air serão encaminhadas para outras companhias aéreas integradas na rede de operadores contratados pela Amazon.
Investigação aponta para aterragem a velocidade elevada
O Boeing 767-300 cargueiro envolvido no acidente operava o voo 7598, entre San Juan, Porto Rico, e Miami. Os dados preliminares divulgados pelo National Transportation Safety Board (NTSB) indicam que a aeronave tocou na pista a uma velocidade de 158 nós.
A aplicação dos travões ocorreu quando o avião seguia a 146 nós, enquanto o trem de aterragem principal esquerdo apenas tocou na pista quando a velocidade já tinha descido para 134 nós.
Durante a corrida de aterragem, os travões foram libertados quando o avião ainda circulava a cerca de 120 nós. Nesse momento, os motores foram colocados numa configuração compatível com potência de ‘go around’, antes de regressarem novamente a ‘idle’. Os travões voltaram posteriormente a ser aplicados, quando a aeronave seguia a aproximadamente 117 nós.
O último registo de velocidade disponível aponta para 65 nós.
Os investigadores não encontraram, nos dados preliminares, indicação de que os spoilers ou os ‘reverses’ dos motores tenham sido accionados durante a aterragem.
Piloto alertou para velocidade excessiva
A análise preliminar do gravador de voz do cockpit revelou também que um dos pilotos manifestou preocupação com a velocidade da aeronave durante a aproximação.
Segundo o NTSB, o alerta foi feito cerca de um minuto e 40 segundos antes do final da gravação e voltou a ser referido posteriormente. A agência norte-americana indicou, contudo, que não foi identificada uma resposta verbal consistente por parte do outro elemento da tripulação.
Tanto os dados do gravador de voz como os restantes elementos divulgados pelo NTSB são considerados preliminares e poderão ser alterados à medida que a investigação avance.
Suspensão partiu da Amazon
A decisão da Amazon não corresponde a uma medida regulamentar determinada pelas autoridades norte-americanas. Trata-se de uma decisão comercial da empresa, que optou por interromper temporariamente a utilização dos serviços da 21 Air enquanto decorre a investigação.
A Amazon não possui um certificado de operador aéreo para estes voos. A empresa recorre a transportadoras certificadas para assegurar parte das operações da Amazon Air, sendo a 21 Air a entidade responsável pela operação e pela relação regulamentar com a Federal Aviation Administration (FAA).
Até ao momento, o NTSB ainda não determinou a causa do acidente.
Com sede em Greensboro, no estado da Carolina do Norte, a 21 Air começou a operar aviões Boeing 767 para a Amazon Air em 2024. A investigação ao acidente em Miami continua em curso.





