A airBaltic prepara-se para reduzir significativamente o número de trabalhadores, com entre 500 e 700 postos de trabalho em risco nas suas operações nos países bálticos. A companhia aérea letã emprega actualmente cerca de 3.000 pessoas em Riga, na Letónia, Vilnius, na Lituânia, e Tallinn, na Estónia.
A estimativa foi apresentada pela companhia no dia 5 de outubro e está relacionada com o processo de reorganização da empresa, que pretende adaptar a sua estrutura à nova estratégia definida para os próximos anos.
O plano de negócio anunciado pela airBaltic em agosto estabelece como prioridade a recuperação da estabilidade financeira, deixando o crescimento para uma segunda fase. Entre as principais medidas estão a concentração da rede de voos em torno de Riga, a redução da frota de Airbus A220-300, o reforço das operações ACMI durante todo o ano e a melhoria da eficiência operacional.
Frota será reduzida
A reestruturação terá também um impacto significativo na dimensão da frota. A airBaltic prevê terminar 2026 com 36 Airbus A220-300, face aos 54 actualmente previstos na frota.
A companhia pretende posteriormente voltar a aumentar gradualmente a dimensão da frota, apontando para cerca de 40 aeronaves em 2031.
A redução da frota e a reorganização das operações terão consequências na estrutura de recursos humanos. No entanto, a airBaltic salienta que os números apresentados são ainda uma estimativa e poderão sofrer alterações durante o processo de negociação.
A companhia encontra-se actualmente a consultar os sindicatos sobre possíveis soluções para reduzir a carga de trabalho, nomeadamente para pilotos e tripulantes de cabine. Paralelamente, estão a ser definidas novas estruturas organizacionais para as restantes áreas da empresa.
Por esse motivo, a airBaltic afirma que ainda não é possível determinar quantos postos de trabalho poderão ser afectados em cada uma das bases ou departamentos.
Processo de despedimento colectivo
A empresa já notificou a Agência Estatal de Emprego da Letónia relativamente ao processo previsto de despedimento colectivo.
Erno Hildén, presidente e CEO da airBaltic, reconhece que se trata de um processo particularmente sensível para os trabalhadores e garante que a companhia pretende conduzi-lo de forma transparente e respeitosa.
Segundo o responsável, ainda não foram tomadas decisões definitivas relativamente a trabalhadores individuais, estando a companhia empenhada em manter o diálogo com os seus colaboradores e em cumprir os procedimentos legais e de consulta aplicáveis.
Reestruturação financeira
A redução da força de trabalho surge num período particularmente desafiante para a airBaltic. Em setembro, a companhia aérea recorreu ao Chapter 11 nos Estados Unidos, dando início a um processo de reestruturação financeira supervisionado judicialmente.
A Air Baltic Corporation e algumas das suas subsidiárias apresentaram voluntariamente o pedido de protecção junto do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova Iorque, a 14 de setembro de 2026.
Na altura, a companhia garantiu que o processo não iria interromper a operação regular. Os voos programados, as vendas de bilhetes, as reservas e os serviços de apoio aos passageiros continuariam a funcionar normalmente.
A airBaltic assegurou igualmente que os bilhetes, vouchers e créditos já emitidos pelos passageiros permanecem válidos durante o processo de reestruturação.
A redução da frota e dos custos operacionais, juntamente com o reforço do negócio ACMI, deverá assim desempenhar um papel central na estratégia da companhia para recuperar a estabilidade financeira e preparar a empresa para uma futura retoma do crescimento.





