A Air France-KLM e o Grupo Lufthansa apresentaram esta quarta-feira as versões revistas das suas propostas para a aquisição de uma participação de 44,9% no capital da TAP. A decisão final do Governo deverá ser conhecida em meados de outubro.
A confirmação foi feita pela Parpública, entidade responsável pela gestão das participações do Estado, que recebeu as duas propostas vinculativas melhoradas no último dia do prazo definido no âmbito da fase de negociações.
Segundo a Parpública, as propostas foram apresentadas pelas duas companhias que permanecem na corrida pela transportadora aérea portuguesa, depois de terem sido convidadas a rever as suas ofertas na sequência da terceira etapa do processo de privatização.
A entidade irá agora analisar as melhorias introduzidas pelas duas concorrentes e elaborar um relatório com a avaliação final das propostas. Esse documento será posteriormente enviado aos membros do Governo responsáveis pelas áreas das Finanças e dos Transportes.
As duas companhias tinham apresentado as suas propostas vinculativas no início de setembro. Perante a proximidade entre as ofertas, o Governo decidiu avançar para uma fase adicional de negociações, com o objetivo de obter condições mais favoráveis.
O ministro das Infraestruturas indicou esta semana que a decisão sobre a escolha do futuro acionista da TAP deverá ser tomada em meados de outubro. A Parpública deverá concluir a análise das propostas durante os próximos dias, antes de remeter o relatório ao Governo.
A operação prevê a venda de uma participação minoritária de 44,9% da TAP. O futuro acionista deverá assumir a gestão operacional da companhia, enquanto os direitos do Estado serão definidos através de um acordo parassocial.
A concretização da operação estará ainda dependente das necessárias aprovações regulatórias, incluindo a análise das autoridades europeias da concorrência. Dependendo do comprador escolhido, poderão ser exigidos compromissos relacionados com a atribuição de slots em determinados aeroportos.
Lufthansa diz que proposta reforça compromisso com Portugal
Pouco depois da entrega das propostas, a Lufthansa confirmou ter apresentado uma “oferta atualizada e melhorada” pela TAP.
A companhia alemã afirma que a nova proposta pretende reforçar o seu compromisso de longo prazo com a transportadora portuguesa e com Portugal, defendendo que a sua experiência no desenvolvimento de companhias aéreas de rede poderá contribuir para o crescimento futuro da TAP.
A Lufthansa considera que o Grupo é um parceiro adequado para apoiar a expansão da TAP, aumentar a sua competitividade e continuar a desenvolver o papel da companhia enquanto transportadora aérea de bandeira portuguesa.
Air France-KLM quer reforçar Lisboa como hub no Sul da Europa
Também a Air France-KLM confirmou a revisão da sua proposta, apresentando uma estratégia centrada no reforço da TAP e da operação a partir de Lisboa.
O grupo francês afirma que a proposta foi concebida tendo como objetivo uma transportadora portuguesa mais forte, com Lisboa a assumir o papel de hub exclusivo da Air France-KLM no Sul da Europa, acompanhado por uma maior conectividade e pela criação de emprego e valor em diferentes regiões do país.
O CEO da Air France-KLM, Benjamin Smith, afirmou que o interesse do grupo na TAP “está mais forte do que nunca”, manifestando confiança no plano apresentado.
A companhia diz ter trabalhado durante as últimas quatro semanas na revisão da candidatura, apresentando agora um plano estratégico de longo prazo que abrange áreas como o transporte de passageiros, carga, programas de fidelização e manutenção, reparação e revisão (MRO).
A estratégia apresentada prevê ainda o crescimento da TAP não apenas em Lisboa, mas também no Porto e noutras cidades portuguesas, com a Air France-KLM a defender uma expansão sustentada da operação.
A candidatura conta com o apoio da Delta Air Lines, parceira da Air France-KLM numa joint venture, e da aliança SkyTeam. O objetivo passa também por reforçar as ligações internacionais de Portugal, em particular para o mercado do Atlântico Norte.
A decisão final caberá agora ao Governo, depois de concluída a avaliação das duas propostas pela Parpública.





