O processo de certificação do Boeing 777X poderá estender-se até 2027, com particular destaque para os ensaios ETOPS, embora a fabricante norte-americana continue a apontar esse ano para o início das entregas. A informação foi avançada por Kelly Ortberg, CEO da Boeing, durante a 14.ª Morgan Stanley Laguna Conference, realizada em setembro de 2026.

Uma das etapas ainda pendentes é a autorização da Administração Federal de Aviação (FAA) para dar início aos testes ETOPS, fundamentais para permitir a operação da aeronave em voos de longo curso sobre regiões afastadas de aeroportos alternativos.

O principal obstáculo está relacionado com o motor GE9X, desenvolvido pela GE Aerospace. Um dos seus componentes, conhecido como mid-seal, apresentou uma durabilidade inferior à inicialmente prevista, obrigando o fabricante a aprofundar os ensaios e a desenvolver uma configuração alternativa.

Esta peça estabelece a ligação entre as secções dianteira e traseira do motor, sendo a sua fiabilidade um elemento importante para a certificação do conjunto. A nova configuração está a ser submetida a um processo de certificação próprio. Ainda assim, segundo Rahul Ghai, diretor financeiro da GE Aerospace, os motores atualmente utilizados nos voos de teste, equipados com a versão original do componente, poderão continuar a contribuir para o avanço do programa.

Um programa marcado por sucessivos atrasos

O Boeing 777X realizou o seu primeiro voo em janeiro de 2020, mas, desde então, o programa tem enfrentado diversos constrangimentos técnicos e regulamentares, bem como exigências acrescidas no processo de certificação.

Os ensaios ETOPS constituem uma fase particularmente importante, uma vez que permitem demonstrar a capacidade de uma aeronave bimotor para operar em segurança em rotas que a afastam significativamente de aeroportos adequados, incluindo em situações de falha de um dos motores.

A conclusão desta etapa é essencial para viabilizar a exploração comercial do 777-9 em determinadas rotas intercontinentais de longo curso, nomeadamente as previstas por companhias como a Emirates e a Lufthansa.

Boeing mantém objetivo de iniciar entregas em 2027

Paralelamente aos trabalhos de certificação, a Boeing continua a desenvolver os testes já autorizados e a introduzir alterações no processo de produção. Cerca de 30 aeronaves já construídas deverão ser sujeitas a modificações, num esforço para assegurar a conformidade com os requisitos necessários à entrada ao serviço.

Apesar da possibilidade de algumas fases de ensaio se prolongarem para 2027, Kelly Ortberg reiterou que a Boeing mantém o objetivo de entregar os primeiros exemplares do 777X nesse mesmo ano.

A fabricante enfrenta, assim, uma fase decisiva do programa, procurando concluir as etapas de certificação ainda em falta e cumprir o calendário previsto para o início das entregas, em coordenação com a FAA.