A Boeing está a avançar na recuperação da sua capacidade industrial, mas continua a enfrentar dificuldades para estabilizar a produção do 737 MAX e aumentar o ritmo de fabrico do 787 Dreamliner. A certificação do 737 MAX 10 e os ensaios de voo do 777X são também prioridades para a construtora norte-americana, que admite que alguns dos testes do novo avião de longo curso poderão prolongar-se até 2027.

O ponto de situação foi apresentado pelo presidente e CEO da Boeing, Kelly Ortberg, a 16 de setembro, durante a conferência Morgan Stanley Laguna, na Califórnia, onde participou acompanhado pelo diretor financeiro da empresa, Jay Malave.

Na sua intervenção, Ortberg fez um balanço dos progressos alcançados ao longo do último ano, identificando simultaneamente os principais desafios que continuam a condicionar a atividade da fabricante.

Produção do 737 MAX ainda não estabilizou

A Boeing está atualmente a produzir o 737 MAX a um ritmo de 47 aviões por mês, depois de ter recebido autorização da Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos (FAA) para aumentar a cadência de produção.

Apesar de a empresa já ter alcançado este nível, Kelly Ortberg reconheceu que ainda não conseguiu estabilizar o ritmo de fabrico. A passagem de 42 para 47 aeronaves mensais está a demorar mais tempo do que inicialmente previsto.

Segundo o responsável, a cadeia de abastecimento encontra-se numa situação favorável, mas a produção das asas está a limitar o aumento da cadência.

A Boeing fabrica as asas do 737 MAX na sua unidade de Renton, no estado de Washington, e os progressos registados neste segmento ficaram aquém das expectativas da empresa.

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A estabilização da produção nos 47 aviões mensais é um passo necessário antes de avançar para o próximo objetivo: atingir uma cadência de 52 aeronaves por mês.

Para concretizar esse aumento, a Boeing pretende também colocar em funcionamento uma nova linha de produção em Everett, igualmente no estado de Washington, que terá de obter a certificação necessária antes de iniciar as operações.

A médio e longo prazo, Ortberg mantém a ambição de elevar a produção do 737 até aos 63 aviões mensais.

737 MAX 10 aproxima-se da certificação

A certificação do 737 MAX 10 está também numa fase avançada. Depois de o 737 MAX 7 ter obtido a certificação de tipo da FAA, em agosto de 2026, o MAX 10 é a única variante da família que continua a aguardar a aprovação final.

Durante a conferência, Ortberg afirmou que a certificação está próxima, referindo que a Boeing já concluiu os ensaios de voo e os restantes testes necessários.

Biggest member of Boeing's 737 MAX family makes its maiden flight

O trabalho concentra-se agora na documentação necessária para concluir o processo de certificação, depois de terem sido ultrapassados os principais marcos técnicos.

A Boeing não indicou uma data concreta para a entrada em serviço da variante, mas as declarações do CEO apontam para uma fase final do processo de aprovação.

Ensaios do 777X poderão prolongar-se até 2027

O programa 777X continua a enfrentar desafios relacionados com a conclusão dos ensaios de voo do 777-9. Kelly Ortberg admitiu que parte dos testes poderá transitar para o próximo ano.

Um dos principais obstáculos está relacionado com um problema identificado nos motores GE9X, desenvolvido pela GE Aerospace, que levou à necessidade de realizar testes adicionais.

2025.10.1 October 1-10, 2025 Airline Headline News - Bruce Drum (AirlinersGallery.com)

A Boeing ainda não dispõe da autorização necessária para iniciar o programa de ensaios ETOPS (Extended-range Twin-engine Operational Performance Standards), que permite avaliar operações de longo alcance com aviões equipados com dois motores.

A autorização depende da conclusão do plano de certificação relativo a um problema no mid-seal dos motores GE9X.

A questão foi identificada pela primeira vez em janeiro de 2026. De acordo com Ortberg, a GE Aerospace está a trabalhar na resolução do problema, embora tenha sido necessário realizar mais testes do que os inicialmente previstos.

O CEO da Boeing indicou que a empresa espera obter a autorização num futuro próximo, mas reconheceu que os trabalhos poderão afetar o calendário dos ensaios do 777-9.

787 Dreamliner estabiliza nos oito aviões mensais

No programa 787 Dreamliner, a Boeing conseguiu estabilizar a produção em oito aeronaves por mês, depois de problemas nas entregas de motores terem condicionado a atividade industrial no início do ano.

Boeing 787 Dreamliner Production Line | The 787 program cont… | Flickr

A empresa pretende aumentar a cadência para dez aviões mensais, mas esse objetivo continua dependente da melhoria do fornecimento de motores.

Ortberg apontou para o final de 2026 como horizonte provável para alcançar esse nível de produção, embora não tenha apresentado uma garantia quanto à concretização desse calendário.

O responsável explicou ainda que as oscilações nas entregas do 787 ao longo do ano resultaram, em grande medida, da complexidade e da duração dos processos de certificação dos assentos instalados nas aeronaves.

Apesar de considerar que o ritmo de produção atual permite assegurar um volume significativo de entregas, a Boeing prevê que os números continuem a apresentar algumas variações de mês para mês.

Recuperação industrial continua em curso

O balanço apresentado por Kelly Ortberg evidencia uma Boeing que tem conseguido recuperar progressivamente os níveis de produção, mas que continua condicionada por limitações industriais, dificuldades no fornecimento de componentes e processos de certificação ainda por concluir.

No 737 MAX, a prioridade passa pela estabilização da produção nos 47 aviões mensais antes de avançar para os 52. No 787, a empresa procura assegurar o fornecimento de motores necessário para aumentar a cadência para dez unidades por mês.

Em paralelo, a certificação do 737 MAX 10 aproxima-se da fase final, enquanto o programa 777X permanece dependente da resolução de questões técnicas nos motores GE9X e da autorização para prosseguir com os ensaios ETOPS.

A evolução destes programas será determinante para os próximos passos da Boeing, tanto na capacidade de responder às encomendas das companhias aéreas como na concretização dos seus objetivos de produção e certificação.