Acidente LaGuardia

A colisão mortal ocorrida no aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque, no passado domingo à noite, levanta sérias questões sobre a eficácia dos sistemas de segurança naquela infraestrutura. De acordo com o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), as tecnologias de rastreamento destinadas a prevenir acidentes em pista falharam no momento crítico.

O acidente envolveu um avião regional da Air Canada Express, operado pela Jazz Aviation, que colidiu com um veículo dos bombeiros, resultando na morte dos dois pilotos. Além disso, 39 dos 76 passageiros e membros da tripulação ficaram feridos, seis dos quais permanecem hospitalizados.

Segundo a presidente do NTSB, Jennifer Homendy, o sistema de vigilância terrestre do aeroporto não emitiu qualquer alerta sobre a proximidade entre o avião e o veículo. Para agravar a situação, o veículo dos bombeiros não estava equipado com um transponder — dispositivo que permite transmitir a sua localização em tempo real para os controladores de tráfego aéreo.

Embora as luzes de estado da pista, que sinalizam quando não é seguro atravessar, estivessem operacionais, o veículo acabou por entrar na pista poucos segundos antes do impacto. Dados do gravador de voz do cockpit indicam que passaram apenas 20 segundos entre a autorização dada ao veículo para atravessar e o momento da colisão, sendo que o avião se encontrava a apenas 30 metros de altitude cerca de um segundo antes do embate.

Especialistas em segurança aérea sublinham que acidentes desta natureza resultam, regra geral, de uma combinação de fatores. A comunicação entre os pilotos, os controladores e o condutor do veículo será um dos principais focos da investigação em curso.

Outro ponto crítico identificado prende-se com os recursos humanos na torre de controlo. Na altura do acidente, estavam apenas dois controladores de serviço — uma prática considerada padrão durante o turno da meia-noite, mas que tem sido alvo de preocupações recorrentes devido à elevada carga de trabalho.

O incidente ocorreu numa noite com algum nevoeiro, pelo que as condições de visibilidade também serão analisadas. Investigações preliminares indicam ainda que o controlador responsável estava simultaneamente a lidar com outra situação de emergência envolvendo um voo da United Airlines, o que poderá ter contribuído para a complexidade do momento.

O NTSB continuará a investigação com o objetivo de apurar todas as causas e emitir recomendações para reforçar a segurança aérea, embora estas não sejam juridicamente vinculativas.