TAP, auscultadores bluethooth

A TAP Air Portugal está a transformar a sua operação para reduzir emissões e tornar a aviação mais sustentável, mantendo a competitividade e a experiência do passageiro, revelou Maria João Calha, diretora de Sustentabilidade da companhia, no podcast MobiBoom.

Entre as medidas já implementadas, destaca-se a modernização do sistema de entretenimento a bordo: os passageiros de voos de longo curso podem usar os seus próprios auscultadores Bluetooth, reduzindo em 40% o consumo dos equipamentos descartáveis que a companhia distribuía anteriormente.

Frota mais eficiente e operações mais verdes

A renovação da frota é um dos principais pilares da estratégia ambiental da TAP. Atualmente, 58% dos 99 aviões da transportadora são de nova geração, capazes de reduzir até 20% das emissões de CO₂. Além disso, a companhia tem adotado medidas menos visíveis, como substituição de equipamentos por materiais mais leves e otimização do catering, permitindo poupanças significativas de combustível e emissões.

Desde 2024, a TAP implementou a separação de resíduos a bordo, com a adesão das tripulações a aumentar graças à formação, comunicação e visitas às instalações de catering, onde é possível ver o impacto direto da gestão de resíduos.

Combustíveis sustentáveis: o maior desafio

Apesar dos avanços a bordo, Maria João Calha destaca que o principal obstáculo à descarbonização é o combustível. Os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) continuam até quatro vezes mais caros que o combustível convencional e têm oferta limitada.

Para acelerar a adoção do SAF, a TAP integra a Aliança para a Sustentabilidade na Aviação e participa na elaboração do Roteiro Nacional para a Descarbonização da Aviação, com o objetivo de criar uma coordenação nacional e europeia. No entanto, tecnologias disruptivas só deverão ser amplamente utilizadas após 2035.

Sustentabilidade como pilar estratégico

A sustentabilidade deixou de ser apenas um slogan na TAP e passou a ser um dos cinco pilares estratégicos da companhia, integrando experiência do passageiro, performance operacional e cultura organizacional. Maria João Calha sublinha que, embora o setor seja sensível ao preço, o passageiro corporativo e o segmento de carga já valorizam critérios ambientais, e algumas empresas estão até dispostas a cofinanciar SAF.

“A nossa missão é preservar a acessibilidade do transporte aéreo para as próximas gerações”, concluiu a diretora de Sustentabilidade, reforçando que a sustentabilidade é uma exigência inevitável para a aviação do futuro.