A 6 de janeiro de 2026, a Lufthansa assinala o seu centenário, celebrando 100 anos desde a fundação da companhia que viria a tornar-se um dos maiores grupos de aviação do mundo. Ao longo de um século marcado por inovação, crescimento e também períodos sombrios, a transportadora alemã assume este marco como um momento de celebração — mas igualmente de reflexão.

Hoje, a Lufthansa e o Lufthansa Group transportam mais de 150 milhões de passageiros por ano, operam uma frota superior a 300 aeronaves e reúnem companhias como a SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines, Eurowings, Discover Airlines e ITA Airways, consolidando-se como uma das maiores forças da aviação global.


Das origens à interrupção durante a Segunda Guerra Mundial

A Lufthansa nasceu oficialmente a 6 de janeiro de 1926, sob o nome Deutsche Luft Hansa, resultado da fusão entre as companhias Junkers Luftverkehr e Deutscher Aero Lloyd. O primeiro voo realizou-se em abril desse ano, inaugurando uma nova era no transporte aéreo alemão.

Durante os anos 1930, a rede de rotas cresceu de forma significativa, com expansão para a América do Sul e Ásia. Contudo, a ascensão do regime nazi marcou o capítulo mais negro da história da companhia. Integrada no aparelho estatal, a Luft Hansa apoiou a máquina militar alemã, envolvendo-se em operações de treino e manutenção ao serviço da Luftwaffe — recorrendo, inclusive, a trabalho forçado.

Após o fim da guerra, em 1945, a empresa foi encerrada e os seus ativos liquidados. Só em 1953 a Alemanha fundaria uma nova companhia aérea, inicialmente designada Luftag, que retomaria mais tarde o histórico nome Deutsche Lufthansa.


Renascimento e expansão na era moderna

A 1 de abril de 1955, a Lufthansa retomou oficialmente os voos comerciais domésticos, seguindo-se rapidamente as operações internacionais para cidades como Paris, Londres e Madrid. Poucos meses depois, os voos transatlânticos ligavam Frankfurt a Nova Iorque.

Com a chegada da era do jato, nos anos 1960, a Lufthansa tornou-se pioneira na introdução do Boeing 707 e foi a primeira companhia europeia a operar o Boeing 737. Nesta década nasceu também o icónico logótipo do grou dentro de um círculo — símbolo que ainda hoje identifica a marca.

As décadas seguintes foram marcadas por crises globais, mas também por modernização, diversificação de serviços, privatização e a entrada na Star Alliance, em parceria com grandes operadores mundiais.


Do século XXI à resiliência pós-pandemia

Já no século XXI, a Lufthansa consolidou-se como grupo multinacional, lançou o maior programa de renovação de frota da sua história e apostou em aeronaves mais eficientes, como o Airbus A350 e o Boeing 787.

Tal como toda a indústria, a companhia foi severamente afetada pela pandemia de COVID-19 em 2020, recorrendo a apoio estatal temporário para sobreviver. Recuperou, pagou os apoios recebidos e voltou a crescer para responder ao forte aumento da procura.


2026: um centenário para celebrar — e para refletir

Sob o lema “We are the Journey”, a Lufthansa celebra o seu 100.º aniversário destacando a ligação entre colaboradores, passageiros e comunidades. O grupo emprega atualmente cerca de 100 mil pessoas de mais de 160 nacionalidades.

Ao longo de 2026, serão promovidos eventos, exposições permanentes, produções audiovisuais, publicações históricas e iniciativas destinadas a clientes e funcionários. Em Frankfurt, o novo centro “Hangar One” acolherá duas aeronaves históricas restauradas — um Junkers Ju 52 e um Lockheed Starliner — símbolo vivo da herança da companhia.

Um dos pontos altos das comemorações será a frota do aniversário, composta por seis aeronaves com uma pintura especial alusiva ao centenário, incluindo modelos como o Airbus A380, A350 e Boeing 747-8, com a estreia de um Boeing 787-9 batizado “Berlin”.


Memória histórica e responsabilidade

A Lufthansa assume o centenário também como um exercício de memória crítica. A companhia sublinha o compromisso de aprofundar a investigação histórica sobre o seu envolvimento durante o período nazi, reconhecendo que a história da primeira Lufthansa — até ao seu colapso em 1945 — faz parte integrante da identidade do grupo.

Segundo a empresa, os 100 anos representam “um tributo ao espírito pioneiro, à inovação e às ligações entre pessoas, culturas e economias — mas também um momento para assumir responsabilidades e aprender com o passado”.