Azores Airlines

O Governo Regional dos Açores confirmou que a Comissão Europeia concordou em prolongar até dezembro de 2026 o período definido para a reestruturação do grupo SATA. Ao mesmo tempo, foi comunicado que os trabalhadores irão receber o subsídio de Natal em duas prestações.

A informação foi avançada na quinta-feira, 27 de novembro, pelo secretário regional das Finanças, Duarte Freitas, durante o debate na especialidade do Orçamento de 2026, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, na Horta. Segundo o governante, Bruxelas reconheceu o esforço regional e aceitou a extensão do prazo, que deverá ser formalmente ratificada pelo próximo colégio de comissários.

O executivo açoriano já tinha anunciado, na terça-feira anterior, que tinha solicitado à Comissão Europeia a prorrogação do calendário de reestruturação, justificando o pedido com a resposta do mercado e a complexidade do processo de recuperação da companhia aérea.

Também na terça-feira veio a público que um grupo de empresários — Carlos Tavares, Tiago Raiano, Paulo Pereira e Nuno Pereira — apresentou uma proposta conjunta para adquirir 85% da Azores Airlines.

Durante o debate parlamentar, o deputado socialista Carlos Silva questionou o Governo sobre os motivos que levaram ao pagamento faseado do subsídio de Natal no grupo SATA.

Duarte Freitas explicou que a situação resulta de um encargo extraordinário: o pagamento da última parcela, no valor de 6,5 milhões de euros, relativa ao aluguer do Airbus A330 conhecido como “Cachalote”, operado pela Azores Airlines a partir de 2016 e retirado da frota em 2020. A aeronave, que esteve previamente estacionada em Tarbes, França, gerou prejuízos significativos e acabou posteriormente integrada na frota da companhia portuguesa Hi Fly.

Segundo o governante, este pagamento final condicionou a liquidez do grupo, obrigando à divisão do subsídio de Natal em duas partes: 30% pagos com o vencimento de novembro e o remanescente até 15 de dezembro. A decisão foi comunicada aos trabalhadores através de uma nota interna do conselho de administração.

O deputado Carlos Silva criticou duramente a situação, afirmando que o atraso no subsídio de Natal é grave e resulta de “uma gestão ruinosa” do grupo SATA nos últimos anos. Considerou ainda inaceitável a forma como a administração comunicou o problema aos cerca de 1.600 trabalhadores.