A Air Canada começará a retomar gradualmente os seus voos a partir da noite desta terça-feira, 19 de agosto, após ter chegado a um acordo com os assistentes de bordo, que estavam em greve desde sexta-feira, 15 de agosto.
O entendimento foi alcançado com o sindicato Canadian Union of Public Employees (CUPE), por meio de um processo de mediação conduzido por William Kaplan, mediador escolhido por ambas as partes.
Segundo comunicado da companhia aérea, as negociações avançaram com base no compromisso do sindicato de que os cerca de 10 mil tripulantes de cabine regressariam às suas funções. A empresa informou ainda que não irá comentar os detalhes do acordo até à sua ratificação final.
A Air Canada assegura que, durante o período de ratificação ou arbitragem vinculativa, não haverá greves nem lockouts, o que garante estabilidade para os passageiros que pretendam viajar com a companhia nos próximos dias.
Os primeiros voos estão previstos para esta terça-feira à noite, mas a normalização total da operação poderá demorar entre sete a dez dias, uma vez que aeronaves e equipas ainda se encontram fora de posição. Durante esse período, poderão ocorrer cancelamentos pontuais.
A transportadora promete soluções para os passageiros afetados por alterações, incluindo reembolsos integrais, créditos para futuras viagens ou reacomodação em voos de outras companhias — embora reconheça limitações de capacidade devido à elevada procura no verão.
O CEO da Air Canada, Michael Rousseau, sublinhou no comunicado que o foco agora está em retomar as operações. “Reativar uma companhia aérea da dimensão da Air Canada, que transporta aproximadamente 130 mil passageiros por dia, é uma tarefa exigente”, afirmou, pedindo compreensão durante o processo de restabelecimento total.
A greve teve início no dia 15 de agosto, e embora o governo canadiano tenha invocado a Seção 107 do Código do Trabalho para ordenar o regresso ao trabalho, os tripulantes insistiram numa solução negociada. O presidente do sindicato chegou a afirmar que preferia ser detido a permitir a imposição do regresso forçado.
A principal reivindicação dos trabalhadores está relacionada com o pagamento do tempo de trabalho em terra, como o embarque, que segundo o sindicato representa até 35 horas mensais não remuneradas.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, a Air Canada propôs pagar parte desse tempo a metade da tarifa normal e ofereceu um aumento salarial acumulado de 38% em quatro anos — com um acréscimo de 25% já no primeiro ano. No entanto, o sindicato contestou os números, afirmando que o impacto real seria um aumento de apenas 17,2%, insuficiente para os funcionários com menos de cinco anos de casa, que representam metade dos tripulantes.
