Emirates

O Emirates Group anunciou resultados financeiros históricos no exercício fiscal de 2025-26, alcançando níveis recorde de lucro, receitas e reservas de caixa, apesar dos desafios operacionais registados no último mês do período fiscal devido à instabilidade militar no Golfo.

Segundo o relatório anual divulgado esta quinta-feira, o grupo registou um lucro antes de impostos de 24,4 mil milhões de dirhams dos Emirados Árabes Unidos (cerca de 5,6 mil milhões de euros), o que representa um crescimento de 7% face ao ano anterior. As receitas totais atingiram igualmente um máximo histórico de 150,5 mil milhões de dirhams (34,8 mil milhões de euros), mais 3% do que em 2024-25.

A companhia aérea Emirates consolidou-se como a transportadora mais lucrativa do mundo no período em análise. A empresa apresentou um lucro antes de impostos de 22,8 mil milhões de dirhams (5,2 mil milhões de euros), também com um aumento de 7%, e uma margem operacional de 17,4%.

As reservas de caixa da Emirates cresceram para 54,9 mil milhões de dirhams (12,7 mil milhões de euros), o valor mais elevado da sua história.

Já a dnata, subsidiária do grupo especializada em serviços aeroportuários e logística, registou um lucro antes de impostos de 1,6 mil milhões de dirhams (371 milhões de euros), com receitas recorde de 23,6 mil milhões de dirhams.

O grupo anunciou ainda o pagamento de um dividendo de 3,5 mil milhões de dirhams ao seu acionista, a Investment Corporation of Dubai (ICD).

Impacto da instabilidade no Golfo

O presidente e diretor executivo da Emirates Airline and Group, Sheikh Ahmed bin Saeed Al Maktoum, afirmou que os resultados demonstram “a força e a resiliência” do modelo de negócio da empresa.

O responsável destacou que os primeiros 11 meses do exercício fiscal apresentaram uma evolução muito positiva, impulsionada pela forte procura dos serviços da companhia. No entanto, a situação alterou-se no final de fevereiro, quando a atividade militar na região do Golfo perturbou significativamente o tráfego aéreo comercial.

Apesar disso, a Emirates e a dnata conseguiram manter a continuidade das operações, apoiadas pelas infraestruturas e pelo ecossistema de aviação do Dubai.

Expansão da frota e novos destinos

Durante o exercício, a Emirates reforçou a sua rede global com quatro novos destinos: Da Nang, Hangzhou, Siem Reap e Shenzhen.

A companhia terminou o ano com operações em 152 cidades de 80 países e recebeu 15 novos aviões Airbus A350, aumentando para 277 aeronaves a sua frota total.

No Dubai Airshow de 2025, a Emirates anunciou ainda encomendas avaliadas em 41,4 mil milhões de dólares para aquisição de 65 aeronaves Boeing 777-9 adicionais e oito novos A350-900.

Crescimento sustentado apesar dos desafios

A Emirates transportou 53,2 milhões de passageiros em 2025-26 e manteve uma taxa de ocupação de 78,4%. O segmento de carga aérea também apresentou um desempenho sólido, com a Emirates SkyCargo a transportar 2,4 milhões de toneladas de mercadorias.

O grupo investiu 17,9 mil milhões de dirhams em novas aeronaves, infraestruturas, equipamentos e tecnologias para apoiar os seus planos de crescimento.

A força de trabalho total do Emirates Group aumentou 8%, ultrapassando os 130 mil colaboradores em todo o mundo.

Perspetivas para 2026-27

Sheikh Ahmed afirmou que o grupo entra no novo exercício fiscal com “reservas de caixa muito fortes”, o que permitirá continuar os investimentos estratégicos sem necessidade de medidas agressivas de contenção de custos.

O responsável sublinhou ainda que a Emirates mantém cobertura financeira para os custos de combustível até 2028-29 e continuará a investir na modernização da frota, em tecnologia e na experiência do cliente.

“O modelo de negócio do Emirates Group mantém-se sólido. A posição do Dubai como centro global de comércio, viagens e logística continua inalterada”, concluiu.