Um dos pilotos do Boeing 767 de carga da Amazon Prime Air que saiu da pista no Aeroporto Internacional de Miami, nos Estados Unidos, alertou para a velocidade excessiva da aeronave pouco mais de um minuto antes da aterragem, segundo novos dados divulgados pelo National Transportation Safety Board (NTSB).

A gravação do cockpit revela que o piloto voltou a mencionar a velocidade elevada enquanto vários avisos automáticos eram emitidos pelos sistemas da aeronave. Apesar destes sinais, a aproximação prosseguiu até à aterragem.

De acordo com o NTSB, antes do contacto com a pista foram emitidos por duas vezes avisos de “sink rate”, relacionados com uma razão de descida excessiva. A aeronave chegou a perder cerca de 400 pés de altitude em apenas quatro segundos. Seguiram-se ainda cinco alertas de “too low terrain”, indicando uma altitude demasiado baixa em relação ao terreno.

O Boeing 767, com 32 anos, operado pela companhia norte-americana 21 Air, acabou por ultrapassar a pista em cerca de 396 metros e colidiu com dois veículos que se encontravam no solo. O acidente provocou cinco mortos e cinco feridos.

Os dados divulgados pelo NTSB indicam que, 15 segundos após o toque na pista, um dos pilotos ordenou a interrupção da aterragem. Os manetes de potência foram então avançadas para um nível compatível com a potência de uma manobra de ‘go around’.

Nesse momento, a aeronave aproximava-se do final da pista e ainda apresentava uma velocidade de cerca de 120 nós, aproximadamente 222 km/h. Quatro segundos depois, porém, as manetes foram novamente reduzidas para a posição de ‘idle’. Pouco depois, foram registados sons compatíveis com a saída da aeronave da superfície pavimentada da pista.

O NTSB indicou também que os dados disponíveis não mostram evidências de utilização dos spoilers ou dos ‘reverses’ dos motores para ajudar a travar a aeronave.

Especialistas em segurança aérea questionam agora a decisão de manter uma aproximação que apresentava vários indicadores de instabilidade. Anthony Brickhouse, consultor de segurança aeronáutica, considera que os acontecimentos levantam questões sobre a coordenação entre os dois pilotos e sobre o processo de decisão no cockpit.

A investigação deverá procurar determinar por que razão a aproximação não foi interrompida mais cedo e qual foi a avaliação da situação por parte da tripulação.

O comandante, de 55 anos, tinha 7145 horas de voo e obteve a qualificação para o Boeing 767 em maio. O primeiro-oficial, de 37 anos, possuía 2655 horas de voo e tinha obtido a qualificação para o 767 em abril de 2025.

O voo acidentado era o terceiro da aeronave nesse dia. O Boeing 767 tinha partido de Cincinnati com destino a Miami e, posteriormente, voado de Miami para San Juan, em Porto Rico, antes de iniciar o voo de regresso que terminou no acidente, às 13h53 locais de domingo.