Os aeroportos portugueses receberam 20,8 milhões de passageiros entre abril e junho de 2026, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar da evolução positiva, o ritmo de crescimento abrandou significativamente face aos primeiros três meses do ano.
O movimento de passageiros — que inclui embarques, desembarques e trânsitos diretos — aumentou 1,5% em comparação com o segundo trimestre de 2025. No primeiro trimestre de 2026, o crescimento homólogo tinha sido de 3,9%.
Em abril, os aeroportos nacionais registaram 6,6 milhões de passageiros, mais 2,1% do que no mesmo mês do ano anterior. Em maio, o movimento subiu para 7,11 milhões, correspondendo a uma subida de 2,9%. Já em junho, foram contabilizados cerca de 7,1 milhões de passageiros, uma ligeira redução de 0,2% face a junho de 2025.
Lisboa concentra quase metade do movimento
O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, continuou a liderar o movimento aeroportuário nacional. No segundo trimestre, passaram pelo aeroporto 9,6 milhões de passageiros, aproximadamente 46% do total registado no país.
Apesar da liderança, Lisboa apresentou uma ligeira quebra de 0,2% em termos homólogos, depois de ter crescido 3,1% durante o primeiro trimestre.
Por mês, o aeroporto lisboeta movimentou 3,1 milhões de passageiros em abril, mais 1,3% do que um ano antes, e 3,3 milhões em maio, num crescimento de 0,5%. Em junho, porém, o movimento recuou 2,3%, para cerca de 3,2 milhões de passageiros.
No Porto, a evolução foi bastante mais positiva. O aeroporto Francisco Sá Carneiro movimentou aproximadamente 5 milhões de passageiros durante o segundo trimestre, registando um crescimento homólogo de 6,1%. Ainda assim, este resultado representa uma desaceleração relativamente aos 8,3% registados no primeiro trimestre.
Maio foi o mês de maior movimento no Porto, com 1,7 milhões de passageiros (+8,8%). Em abril foram contabilizados 1,6 milhões (+6%), enquanto junho terminou com quase 1,7 milhões (+3,5%).
Faro mantém crescimento ao longo de todo o trimestre
O Aeroporto de Faro apresentou igualmente uma evolução positiva, sendo, juntamente com o Porto, um dos dois principais aeroportos nacionais a registar crescimento em cada um dos três meses do trimestre.
No total, Faro movimentou cerca de 3,5 milhões de passageiros, mais 4,3% do que no segundo trimestre de 2025.
O movimento mensal passou de mais de um milhão de passageiros em abril (+4%) para 1,2 milhões em maio (+5,6%). Em junho, o aeroporto algarvio recebeu perto de 1,3 milhões de passageiros, num crescimento de 3,2%.
Na Madeira, o movimento atingiu 1,5 milhões de passageiros entre abril e junho, mais 2,4% em comparação com o mesmo período de 2025.
Abril e maio ultrapassaram os 500 mil passageiros, com crescimentos de 2,5% e 5,7%, respetivamente. Em junho, o movimento ficou abaixo dessa fasquia, registando uma quebra de 1,1%.
Ponta Delgada com quebra superior a 12%
O aeroporto de Ponta Delgada, nos Açores, ocupou a quinta posição entre os aeroportos portugueses com maior movimento.
Durante o segundo trimestre, foram contabilizados 704,5 mil passageiros, menos 12,9% do que no período homólogo de 2025.
A quebra foi transversal aos três meses: em abril o movimento diminuiu 14,6%, em maio recuou 16,3% e em junho registou uma redução de 8,5%.
Tráfego internacional continua a crescer
A análise do INE evidencia também uma diferença significativa entre o tráfego doméstico e internacional.
Entre abril e junho, o tráfego doméstico diminuiu 3,9%, para cerca de 3,5 milhões de passageiros. Já o movimento internacional cresceu 2,7%, ultrapassando os 17 milhões de passageiros.
A tendência manteve-se ao longo de todo o trimestre. O tráfego doméstico caiu 4,3% em abril, 2,3% em maio e 5% em junho.
Em sentido contrário, o tráfego internacional aumentou 3,5% em abril, 3,9% em maio e 0,8% em junho.
Os números confirmam, assim, o peso cada vez maior das ligações internacionais no movimento dos aeroportos nacionais.
Número de voos cresce apenas 0,3%
Também o número de aeronaves aterradas nos aeroportos portugueses apresentou uma evolução moderada.
No segundo trimestre de 2026 foram registadas 70.218 aterragens, mais 0,3% do que no mesmo período do ano passado.
Abril apresentou um crescimento de 0,7%, enquanto maio registou uma subida de 1,4%. Em junho, contudo, o número de voos recuou 1% em termos homólogos.
Os dados do segundo trimestre mostram, desta forma, uma desaceleração do crescimento do tráfego aeroportuário em Portugal, com o aumento do movimento internacional a compensar parcialmente a redução verificada nas ligações domésticas.





