A Ryanair lançou duras críticas ao sistema de controlo de tráfego aéreo francês, após a divulgação de um relatório do Senado francês que aponta graves falhas na gestão da DSNA, a entidade responsável pelos serviços de navegação aérea em França.

Segundo o documento, a falta de controladores, a baixa produtividade, o recurso a tecnologia considerada obsoleta e o atraso de mais de uma década nos programas de modernização colocam em risco a capacidade do país para responder ao crescimento do tráfego aéreo. O relatório alerta ainda que, sem reformas, a partir de 2030 o sistema poderá deixar de conseguir acomodar toda a procura, obrigando ao cancelamento estrutural de voos.

A companhia aérea refere que os atrasos provocados pelo controlo aéreo francês poderão custar às companhias até 1,7 mil milhões de euros por ano em 2035, caso não sejam implementadas medidas urgentes.

A Ryanair volta também a criticar o impacto das greves dos controladores aéreos franceses nos voos que apenas sobrevoam o espaço aéreo do país. A transportadora defende que, tal como acontece com muitos voos domésticos protegidos pelos serviços mínimos, também os sobrevoos internacionais entre países terceiros da União Europeia devem ser salvaguardados durante períodos de greve.

Entre as medidas propostas estão o recrutamento sem limites de novos controladores até 2030, a redução do tempo de formação, atualmente de cerca de cinco anos em França, a modernização urgente dos sistemas tecnológicos e uma revisão dos modelos de operação para aumentar a capacidade e a eficiência.

Para a Ryanair, a situação representa um problema de gestão e não de procura, defendendo que França não pode continuar a ser o principal estrangulamento do espaço aéreo europeu.