A Netflix deu início à produção de “Operação TAP”, a primeira longa-metragem da plataforma filmada em Portugal. Realizado por João Nuno Pinto, o projeto recupera um dos episódios mais insólitos da história da aviação portuguesa: o desvio de um avião da TAP por um jovem de apenas 16 anos, em maio de 1980.
As filmagens arrancaram esta terça-feira e o elenco conta com Rui Pedro Silva, Afonso Pimentel e Victoria Guerra. O argumento é da responsabilidade de Pedro Lopes, Miguel Rico e Marina Preguiça Ribeiro.
A produção está a cargo da SPi, empresa pertencente ao grupo SP Televisão, que já colaborou com a Netflix na realização de “Glória”, a primeira série portuguesa da plataforma, lançada em 2021.
A história, que tem como ponto de partida um acontecimento real, acompanha um adolescente armado que toma o controlo de um avião da TAP com destino a Faro. O sequestrador exige o desvio do voo para Madrid e pede um resgate de 20 milhões de dólares e um salvo-conduto para a Suíça. A situação transforma-se num longo período de tensão, com passageiros e tripulantes mantidos como reféns durante várias horas.
Embora inspirada num episódio histórico, a produção inclui elementos de ficção. A recriação visual procura transportar o espectador para o ambiente da década de 1980, combinando a representação da época com uma abordagem cinematográfica contemporânea.
O sequestro do voo TAP 131
O acontecimento que serve de inspiração ao filme ocorreu a 6 de maio de 1980. Nesse dia, um Boeing 727-100, matrícula CS-TBQ, da TAP, que realizava o voo 131 entre Lisboa e Faro, foi desviado para Madrid por Rui Rodrigues, um adolescente de 16 anos que ficou conhecido como “Piratinha do Ar”.
A aeronave transportava 83 passageiros e sete tripulantes. O jovem entrou no cockpit munido de uma pistola do pai e obrigou os pilotos a alterar o destino do voo, exigindo que o avião seguisse para Espanha.
Perante a ameaça, a tripulação procurou gerir a situação sem provocar uma reação violenta. Os pilotos conseguiram também alertar discretamente as autoridades.
José Correia Guedes, que na altura desempenhava funções de copiloto, recordou posteriormente o episódio no livro “O Aviador” do qual é autor. Entre as memórias que guardou está um pedido de desculpas feito pelo sequestrador à tripulação, apesar da gravidade da situação: “Os senhores desculpem o trabalho que lhes estou a dar”.
Depois da aterragem em Madrid, as autoridades espanholas mantiveram a aeronave cercada enquanto decorriam as negociações. O impasse terminou com a libertação dos reféns, tendo o avião regressado a Lisboa durante a madrugada seguinte. Rui Rodrigues acabou por ser detido.
Durante o processo judicial, José Correia Guedes chegou a testemunhar a favor do jovem, considerando que se tratava de um “jovem com muito potencial, que tinha agido num momento de desespero”. A relação entre os dois não terminou com o julgamento, tendo mantido a amizade ao longo dos anos.
João Nuno Pinto na realização
O realizador João Nuno Pinto tem um percurso consolidado no cinema e na televisão portugueses. Entre os seus trabalhos destacam-se “América – Uma História Portuguesa” (2010), “Mosquito” (2020) e a série “Causa Própria” (2022).
O filme “Mosquito” conquistou o prémio de Melhor Filme Estrangeiro no São Paulo International Film Festival, tendo também recebido distinções nos CinEuphoria Awards.
Em 2025, realizou “18 Buracos para o Paraíso”, produção que se destacou por ter sido identificada como o primeiro filme português a obter a certificação internacional Green Film, atribuída a produções que cumprem critérios de sustentabilidade ambiental.
João Nuno Pinto conta ainda com experiência na realização de videoclipes musicais, entre os quais “Don’t Swim”, do músico Keaton Henson, distinguido nos Los Angeles Independent Film Festival Awards.
A Netflix ainda não anunciou a data de estreia de “Operação TAP”.





