Vários aeroportos europeus poderão em breve enfrentar escassez de combustível de aviação, segundo alertam distribuidores do setor. A situação já começou a fazer-se sentir em Itália, onde a Air bp Italia, subsidiária local do grupo energético britânico BP, iniciou o racionamento de fornecimentos em quatro aeroportos do norte do país: Aeroporto de Milão-Linate, Aeroporto de Bolonha, Aeroporto de Treviso e Aeroporto de Veneza Marco Polo.
De acordo com informações divulgadas, voos médicos e governamentais, bem como voos comerciais com duração superior a três horas, estão a ser priorizados na atribuição de combustível, face às limitações de stock.
Em declarações à agência italiana ANSA, o diretor da ENAC (autoridade de aviação civil italiana) atribuiu a situação à dificuldade em responder ao pico de procura durante o período das férias da Páscoa. No entanto, cresce a preocupação no setor de que, caso o tráfego de petróleo através do Estreito de Ormuz não regresse à normalidade, a escassez de combustível poderá alastrar a todo o continente europeu.
Para além do aumento do preço do petróleo — que representa uma ameaça significativa para muitas companhias aéreas — alguns países enfrentam o risco de uma escassez física de combustível de aviação.
Embora não tenham sido ainda reportadas perturbações operacionais, várias figuras da indústria, incluindo Michael O’Leary, diretor-executivo da Ryanair, alertaram que o Reino Unido está particularmente exposto, uma vez que depende fortemente de fornecimentos provenientes da região do Golfo.
As reservas de combustível de aviação no Reino Unido poderão durar entre cinco a seis semanas caso o abastecimento seja interrompido.
Perante este cenário, várias companhias aéreas em diferentes regiões do mundo começaram já a implementar medidas de emergência para reduzir o consumo de combustível. Entre elas encontram-se a Air New Zealand, a Vietnam Airlines, a Scandinavian Airlines e a United Airlines, que ajustaram os seus programas de voos face à incerteza no abastecimento e ao aumento dos custos.
Outras transportadoras poderão seguir o mesmo caminho, incluindo a própria Ryanair, que já admitiu possíveis cortes no seu programa de verão, e a Lufthansa, que estará a considerar a imobilização de até 20 aeronaves.





