O Airbus Racer continua a demonstrar as capacidades da nova geração de helicópteros de alta velocidade. Durante uma apresentação nos Airbus Helicopters MDays 2026, em Marignane, evento com a presença da Aviação TV, foram revelados novos detalhes dos resultados obtidos nas duas campanhas de ensaios de voo do demonstrador.

O Racer atingiu 420 km/h (227 nós), ultrapassando o objetivo inicialmente estabelecido de 407 km/h. Nas primeiras sete missões, que totalizaram mais de nove horas de voo, foi possível explorar praticamente todo o envelope de voo, tendo sido igualmente destacadas a estabilidade a alta velocidade e os baixos níveis de vibração, mesmo sem piloto automático.

Na segunda campanha, a Airbus conseguiu elevar para 25% a redução do consumo de combustível, em comparação com helicópteros convencionais da mesma categoria, mantendo uma velocidade de 180 nós.

Os ensaios demonstraram ainda capacidades pouco comuns num helicóptero convencional. O Racer realizou aterragens em superfícies com inclinação de 14 graus, atingiu uma razão de subida de cerca de 3.600 pés por minuto e conseguiu passar do nível do solo aos 10.000 pés em menos de três minutos.

A agilidade foi igualmente testada através de voltas apertadas atingindo 2G a cerca de 370 km/h, além de ensaios de voo a muito baixa altitude seguindo o perfil do terreno.

Um dos aspetos destacados pela Airbus é que o conceito deixou de ser encarado apenas como um helicóptero mais rápido. Os ensaios realizados por cerca de 20 pilotos militares europeus demonstraram vantagens ao nível da aceleração, desaceleração, manobrabilidade, subida a alta velocidade e controlo preciso a baixa velocidade.

O Racer utiliza um rotor principal combinado com duas hélices propulsoras laterais e asas, permitindo reduzir a velocidade de rotação do rotor principal durante o voo rápido. O projeto envolve 37 parceiros europeus, integra cerca de 90 patentes e foi desenvolvido no âmbito do programa europeu Clean Sky 2.

A Airbus aponta agora para o Racer como um “helicóptero melhorado”, no qual a velocidade não constitui apenas um objetivo, mas uma forma de aumentar a capacidade operacional, reduzir tempos de resposta, aumentar o alcance e melhorar a eficiência das missões.