A Airbus confirmou a existência de um problema identificado em alguns aviões A321neo, mas assegura que a situação está relacionada com a qualidade de fabrico e não representa um risco para a segurança das operações.
A informação foi confirmada pela fabricante a 25 de setembro, depois de ter sido identificado, durante trabalhos de requalificação realizados como parte dos procedimentos normais, um desvio na proteção superficial de elementos estruturais, conhecidos como stringers, localizados na zona dianteira inferior da fuselagem.
Segundo a Airbus, a origem do problema já foi identificada e contida, estando disponível uma solução para corrigir a situação. A fabricante garante ainda que todos os novos elementos que recebem o revestimento de proteção cumprem os requisitos definidos.
A intervenção não exige a desmontagem dos stringers. Depois de aplicado o processo de correção, a Airbus considera que a aeronave recupera a sua configuração de acordo com o desenho original.
Mais de 500 aeronaves poderão estar abrangidas
De acordo com informações divulgadas pelo The Air Current, o problema poderá afetar mais de 500 aeronaves, incluindo A321neo que já se encontram ao serviço das companhias aéreas e aviões que ainda aguardam entrega nas instalações da Airbus.
A fabricante sublinha, contudo, que os aviões afetados podem continuar a operar e classifica a situação como uma questão de qualidade, e não de segurança.
A notícia teve impacto imediato no mercado, com as ações da Airbus a registarem uma descida superior a 1% durante a sessão de quinta-feira.
Ainda não é conhecido o impacto que esta situação poderá ter no ritmo de entregas do A320neo e, em particular, do A321neo. A Airbus está atualmente a aumentar progressivamente a produção da família A320, com o objetivo de atingir uma cadência de 75 aeronaves por mês até ao final de 2027.
Airbus mantém objetivo de entregas para 2026
Até ao momento, a Airbus entregou 475 aeronaves comerciais em 2026, contra 434 no mesmo período de 2025.
Em julho, a fabricante europeia voltou a confirmar o objetivo de entregar cerca de 870 aeronaves comerciais ao longo de 2026.
A situação surge numa altura em que a Airbus procura aumentar a produção para responder à elevada procura por aeronaves da família A320neo, especialmente pelo A321neo, que representa uma parte significativa da carteira de encomendas da fabricante.
Problemas recentes também afetaram o A330neo
O novo problema surge depois de dificuldades que afetaram as entregas do A330neo durante o verão.
A Airbus teve de realizar inspeções em todas as aeronaves deste modelo na sequência de preocupações relacionadas com o estabilizador horizontal. O processo acabou por atrasar significativamente as entregas.
Não foi entregue qualquer A330neo em junho ou julho de 2026. Em agosto, apenas uma aeronave foi entregue, à companhia aérea Starlux Airlines.
A Airbus classificou então a situação como isolada e indicou ter identificado a causa do problema, permitindo a retoma das entregas.
Segundo informações anteriormente divulgadas pela Reuters, a questão terá surgido depois de uma ferramenta ter sido encontrada no interior da estrutura de um A330neo durante uma inspeção realizada antes da entrega.





