A companhia aérea letã airBaltic prevê eliminar cerca de 300 postos de trabalho, abrangendo aproximadamente 100 pilotos e 200 tripulantes de cabine. O processo de redução de pessoal deverá começar a 31 de outubro, segundo informações divulgadas pelo Sindicato da Aviação da Letónia (LAU).

Os cortes integram um plano de reestruturação anunciado pela transportadora no início de outubro, que poderá levar à saída de 500 a 700 trabalhadores, numa tentativa de reduzir custos e adaptar a dimensão da empresa à operação prevista para 2027.

A decisão surge num contexto de dificuldades financeiras, depois de a airBaltic ter recorrido ao mecanismo de proteção contra credores nos Estados Unidos (Chapter 11). A companhia pretende também reduzir a frota de Airbus A220-300 de 54 para 36 aeronaves até ao final de 2026, prevendo uma recuperação gradual para cerca de 40 aviões até 2031.

O processo está a gerar contestação por parte do sindicato, que questiona a transparência dos critérios utilizados na seleção dos trabalhadores. O LAU afirma que as regras de avaliação não foram formalmente disponibilizadas e pediu à administração que suspendesse temporariamente o processo para esclarecer as dúvidas existentes.

Segundo a estrutura sindical, os cortes entre os tripulantes de cabine deverão concentrar-se integralmente na base de Riga, enquanto Tallinn e Vilnius não serão afetadas. O sindicato manifesta ainda preocupação com a contratação de trabalhadores através de uma agência temporária na operação de Belgrado, numa altura em que funcionários permanentes estão a ser dispensados.

A airBaltic justifica a redução de pessoal com os ajustamentos necessários ao volume de voos e à rede de destinos previstos para o próximo ano. No caso dos pilotos, os cortes deverão abranger as três bases operacionais. Já entre os tripulantes de cabine, a empresa admite um excesso de pessoal em Riga, procurando transferir trabalhadores para Tallinn e Vilnius, onde identifica necessidades de reforço.

Edvards Dālderis, responsável pela Comunicação Internacional da companhia, garante que os critérios foram definidos após várias rondas de diálogo com os sindicatos. A avaliação terá em conta fatores como a antiguidade, as qualificações profissionais e o desempenho dos trabalhadores.

A transportadora afirma estar consciente do impacto das medidas e assegura que pretende conduzir o processo com transparência e respeito pelos funcionários envolvidos.