A Lufthansa estima obter sinergias no valor de 450 milhões de euros com a entrada no capital da TAP Air Portugal, sendo que a maior parte dos ganhos deverá beneficiar diretamente a companhia aérea portuguesa. O grupo alemão antecipa vantagens em áreas como a rede de rotas, as vendas, as compras a fornecedores, a manutenção e o transporte de carga.

Durante uma conferência telefónica com analistas e investidores, o presidente executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, destacou o potencial da transportadora nacional, considerando-a uma aquisição particularmente atrativa para o grupo. O responsável sublinhou ainda a modernidade da frota da TAP e a sua importância para reforçar a presença do grupo na América do Sul.

A Lufthansa estima que a operação permita aumentar a sua quota de mercado nesta região de 6% para 20%, aproximando-a da posição ocupada pelo grupo IAG, que detém a Iberia e a British Airways.

Maioria das sinergias deverá beneficiar a TAP

Segundo Till Streichert, administrador executivo responsável pela área financeira da Lufthansa, a maior fatia das sinergias previstas deverá ser gerada na própria TAP, ficando uma parcela menor do lado do grupo alemão.

Os ganhos esperados resultam de oportunidades de crescimento das receitas e de redução de custos, nomeadamente através da coordenação das redes comerciais, de parcerias, da negociação conjunta com fornecedores e da cooperação nas áreas de manutenção e carga.

O responsável financeiro revelou também que foi acordado um mecanismo que poderá permitir à Lufthansa receber até 75% dos dividendos distribuídos pela companhia aérea portuguesa.

A operação deverá gerar valor mesmo que o grupo alemão permaneça com uma participação minoritária, uma vez que existe uma reduzida sobreposição entre rotas e centros de operações das duas companhias.

Lufthansa assumirá a gestão operacional

Apesar de o Estado português conservar a maioria no conselho de administração, a Lufthansa deverá ficar responsável pela gestão corrente da TAP. De acordo com Till Streichert, o acordo prevê que o grupo alemão conduza decisões relacionadas com a frota, a rede de destinos, a estratégia comercial e os investimentos operacionais habituais.

As decisões estratégicas de maior dimensão e os investimentos mais significativos continuarão, contudo, sujeitos à intervenção do conselho de administração, no qual o Estado português manterá uma posição maioritária.

Carsten Spohr considera que a TAP apresenta características especialmente interessantes para o grupo, embora os dados de 2025 revelem diferenças de rentabilidade entre as companhias. Nesse ano, a margem operacional da transportadora portuguesa foi de 5,6%, abaixo dos 9,3% registados pela Swiss. A administração da TAP já manifestou a ambição de elevar a empresa ao lugar de companhia mais rentável do grupo.

Proposta avalia a TAP em mais de 2.500 milhões de euros

A Lufthansa venceu a primeira fase do processo de privatização, superando a proposta da Air France-KLM. A oferta abrange 49,9% do capital da TAP, incluindo uma parcela de 5% destinada preferencialmente aos trabalhadores, e ascende a 1.201 milhões de euros. O grupo comprometeu-se ainda a investir até 4.000 milhões de euros no reforço da frota, que poderá atingir 130 aeronaves depois de 2035.

O grupo alemão apresentou também uma proposta para uma eventual segunda fase de privatização, relativa aos restantes 50,1% do capital. Por essa participação, propõe pagar 863 milhões de euros, acrescentando uma participação de 5% no próprio grupo Lufthansa, avaliada em 488 milhões de euros.

Considerando as duas fases, a avaliação global da TAP implícita nas propostas da Lufthansa ascende a 2.552 milhões de euros.

Till Streichert considera que uma participação maioritária poderia ampliar as oportunidades de criação de valor, mas ressalva que não constitui uma condição indispensável para alcançar os benefícios previstos. A integração da TAP deverá, segundo o responsável, contribuir positivamente para os objetivos de rentabilidade do capital do grupo alemão.

Por fim, Carsten Spohr afirmou ter recebido indicações de abertura por parte de três sindicatos portugueses à integração da TAP na Lufthansa, numa referência às preocupações dos investidores quanto à possibilidade de surgirem conflitos laborais durante o processo.