O SITEMA participou na Aircraft Cabin Air Conference 2026, realizada nos dias 22 e 23 de setembro, no Imperial College London. A conferência reuniu investigadores, profissionais de saúde, fabricantes, empresas tecnológicas, reguladores, companhias aéreas e representantes dos trabalhadores para debater a qualidade do ar no interior das aeronaves e os denominados fume events.
Esta edição ficou marcada por uma forte representação portuguesa. Para além do SITEMA, estiveram presentes a Autoridade Nacional da Aviação Civil, a Autoridade para as Condições do Trabalho, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, a TAP e a SATA. Esta participação demonstrou o envolvimento transversal do setor nacional na procura de respostas para uma matéria que abrange a segurança de voo, a saúde ocupacional, a operação e a manutenção.
A abordagem seguida em Portugal, baseada no diálogo e na partilha de informação entre sindicatos, autoridades e companhias aéreas, foi reconhecida como um exemplo positivo de cooperação perante um problema complexo.
Durante os dois dias foram apresentados desenvolvimentos relacionados com sensores de monitorização, sistemas de filtragem e tratamento do ar, óleos de turbina potencialmente menos perigosos, biomarcadores de exposição, procedimentos médicos, reporte de ocorrências e evolução regulamentar. A principal conclusão foi que não existe uma solução única, sendo necessária uma resposta que combine prevenção, deteção, manutenção, investigação técnica, acompanhamento médico, formação e regulamentação.
O SITEMA destaca, em particular, a intervenção de Robert Swankhuizen, dirigente da Aircraft Engineers International e antigo Técnico de Manutenção de Aeronaves da KLM Engineering & Maintenance, onde trabalhou durante 44 anos.
Na sua apresentação, Robert Swankhuizen chamou a atenção para a exposição dos TMA e de todos os profissionais que trabalham em terra junto das aeronaves. Os gases de escape, as partículas ultrafinas e outros contaminantes podem afetar não apenas tripulações e passageiros, mas também os trabalhadores da manutenção, assistência em escala, operações de placa, abastecimento, carga e restantes atividades realizadas no apron.
Swankhuizen sublinhou ainda o papel essencial dos TMA na identificação da origem das ocorrências. A impossibilidade de reproduzir um evento durante um ensaio em terra não prova que este não ocorreu, uma vez que as condições de temperatura, pressão, potência dos motores, vento, fase de voo e configuração dos sistemas podem ser diferentes.
O especialista defendeu reportes técnicos mais completos, diálogo direto entre tripulações e manutenção, acesso ao histórico da aeronave e cruzamento da informação operacional, técnica, médica e de segurança. Alertou igualmente que o nariz humano não deve continuar a ser utilizado como principal meio de deteção, sendo necessária a utilização de instrumentos objetivos de monitorização.
“Este problema não termina na cabine. Os Técnicos de Manutenção e todos os trabalhadores que exercem funções junto das aeronaves também podem estar expostos. É necessário reconhecer esta realidade, melhorar a prevenção e disponibilizar meios adequados para proteger os profissionais e investigar corretamente cada ocorrência”, afirma Jorge Alves, Presidente da Direção do SITEMA e Executive Officer da Aircraft Engineers International.
O SITEMA continuará a acompanhar este tema, defendendo melhores procedimentos de reporte, formação adequada, avaliação independente das soluções tecnológicas, proteção dos trabalhadores em terra e participação dos TMA na definição dos procedimentos e normas aplicáveis.
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