A Airbus e o AED Cluster Portugal apresentaram ontem, em Lisboa, o White Paper sobre as oportunidades de cooperação industrial, tecnológica e económica para Portugal no âmbito do programa Eurofighter Typhoon. Este é o primeiro grande marco do Protocolo de Cooperação (Memorandum of Understanding — MoU) assinado entre a Airbus e o AED Cluster Portugal, em outubro de 2025. Desde então, as duas entidades têm trabalhado na identificação de oportunidades que permitam reforçar a participação da indústria portuguesa nas cadeias de abastecimento associadas ao programa Eurofighter.

O objetivo deste trabalho é aproximar empresas e entidades portuguesas dos principais parceiros do programa, como a Airbus Defence and Space, e identificar áreas em que as competências nacionais possam contribuir para futuras atividades de engenharia, produção, manutenção, tecnologia e serviços especializados.

A sessão permitiu ainda partilhar atualizações sobre o diálogo em curso com empresas, centros de investigação e outros stakeholders da indústria de defesa portuguesa. O objetivo é mapear competências, avaliar oportunidades de colaboração e aproximar o tecido empresarial nacional dos quatro parceiros industriais do Eurofighter.

Esta abordagem é particularmente relevante para uma indústria portuguesa que procura aumentar a sua participação em programas europeus de defesa, expandir competências tecnológicas e captar oportunidades de maior valor acrescentado.

Um programa europeu de grande escala

O Eurofighter Typhoon é um programa desenvolvido por quatro países europeus, Alemanha, Espanha, Itália e Reino Unido, e reúne décadas de experiência na conceção, produção, operação e modernização de aeronaves militares. Com mais de 1 milhão de horas de voo, o Eurofighter é atualmente utilizado pelas forças aéreas dos quatro países parceiros e foi também selecionado por várias forças aéreas no Médio Oriente.

A relevância e a continuidade do programa têm sido reforçadas por novas encomendas: a Alemanha encomendou 20 novos Eurofighter em 2025; a Turquia assinou um contrato para 20 aeronaves; Espanha assinou um contrato adicional para 25 Eurofighter e Itália contratou 24 aeronaves adicionais entre 2024 e 2025. Estas encomendas representam pelo menos 89 aeronaves adicionais abrangidas pelos contratos referidos e demonstram a dimensão e a longevidade da cadeia industrial associada ao programa.

O Eurofighter está a ser continuamente modernizado para permanecer operacional e tecnologicamente relevante até à década de 2060. Entre as atualizações previstas encontram-se novos radares de varrimento eletrónico, sistemas de guerra eletromagnética e autoproteção, computadores mais potentes, redes de dados de alta velocidade e uma nova geração de sistemas de cockpit.

Oportunidade para a indústria portuguesa

Para Portugal, a participação neste ecossistema poderá representar uma oportunidade para reforçar a presença nacional em cadeias de valor europeias de elevada exigência tecnológica e industrial. O trabalho desenvolvido pela Airbus e pelo AED Cluster Portugal procura identificar capacidades nacionais que possam ser integradas em potenciais pacotes de trabalho associados ao programa, tendo em conta áreas como engenharia e desenvolvimento; fabrico e maquinação de elevada precisão; materiais e estruturas; eletrónica e sistemas; software e cibersegurança; manutenção, reparação e revisão; sistemas autónomos e tecnologias de defesa, entre outras.

A integração em programas desta dimensão pode permitir às empresas portuguesas desenvolver relações industriais de longo prazo, cumprir requisitos rigorosos de qualidade e certificação, aceder a novas cadeias de fornecimento e reforçar a sua capacidade de competir em mercados internacionais.

O White Paper não representa, nesta fase, a atribuição de contratos ou a integração automática de empresas portuguesas no programa Eurofighter. Constitui, antes, uma base de trabalho para identificar capacidades, aprofundar o diálogo com os diferentes parceiros e avaliar oportunidades concretas de cooperação nas próximas fases.

A cooperação agora apresentada insere-se numa visão de longo prazo para reforçar a soberania tecnológica e industrial europeia, apoiar o desenvolvimento de capacidades nacionais e criar novas oportunidades para empresas portuguesas nos setores aeroespacial, aeronáutico e da defesa.