O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) quer ser ouvido pelo Governo antes da escolha do investidor para a TAP e defende que as propostas finais da Lufthansa e da Air France-KLM incluam compromissos concretos, mensuráveis e duradouros sobre o futuro da companhia.

Num comunicado, o sindicato considera «incompreensível» ainda não ter sido auscultado e alerta que a venda de até 44,9% do capital da transportadora não deve ser decidida apenas pelo preço oferecido ou por declarações genéricas de intenção.

Entre as prioridades estão a dimensão e composição da frota, o desenvolvimento do hub de Lisboa, o emprego, as carreiras profissionais e o futuro da Portugália e da Manutenção e Engenharia. O SPAC pretende também garantias sobre a operação realizada ao abrigo do certificado de operador aéreo da TAP e a capacidade de decisão que permanecerá em Portugal.

«O Estado tem agora o seu maior poder negocial», afirma Hélder Santinhos, presidente do SPAC. O responsável defende que as intenções dos candidatos sejam transformadas em compromissos verificáveis antes da escolha do investidor, considerando que a capacidade de Portugal para exigir garantias será menor após essa decisão.

O sindicato reafirma ser favorável à privatização, reconhecendo a necessidade de estabilidade acionista, investimento e integração num grupo europeu robusto. Contudo, considera essencial ouvir os representantes dos pilotos antes de uma decisão que condicionará a companhia durante décadas.

O SPAC esclarece que não pretende escolher o acionista nem obter um direito de veto. Manifesta disponibilidade para dialogar com qualquer investidor que desenvolva a TAP e valorize os trabalhadores, mantendo a defesa da segurança operacional, da contratação coletiva e das condições de trabalho.