A easyJet registou um crescimento significativo no número de tripulantes de cabine com mais de 50 anos desde que, em 2022, lançou uma iniciativa destinada a atrair profissionais experientes para a aviação. Desde então, a quantidade de comissários de bordo nessa faixa etária aumentou 127%, enquanto o número de profissionais com mais de 60 anos quase quadruplicou.

A companhia aérea prepara agora uma nova campanha de recrutamento para preencher centenas de vagas de tripulantes de cabine em 2027. As candidaturas deverão abrir em setembro de 2026 e a easyJet pretende aproveitar a iniciativa para continuar a atrair profissionais que procuram uma mudança de carreira depois dos 50 anos.

A empresa começou a incentivar, em 2022, pessoas cujos filhos já saíram de casa a considerar uma carreira na aviação. Desde então, tem observado um aumento do interesse de candidatos mais velhos, que levam consigo experiência profissional, competências adquiridas ao longo de décadas e conhecimentos que podem ser aplicados às funções de tripulante de cabine.

Mudança de carreira depois dos 50

Um estudo divulgado pela easyJet mostra que 80% dos adultos no Reino Unido que mudaram de carreira depois dos 50 anos afirmam ter registado uma melhoria no seu nível geral de felicidade.

Entre os principais benefícios identificados estão uma maior sensação de controlo sobre a vida pessoal e profissional, referida por 78% dos participantes, bem como um aumento da perceção das próprias capacidades profissionais, apontado por 74%. Outros 71% destacaram uma melhoria da confiança.

A mudança de profissão também parece ter contribuído para uma maior clareza sobre os objetivos pessoais. Cerca de 69% dos inquiridos afirmaram ter descoberto melhor aquilo que realmente pretendem fazer, enquanto 65% gostariam de ter tomado a decisão de mudar de carreira mais cedo. Já 88% dizem que recomendariam a outras pessoas da mesma idade a aquisição de novas competências.

O setor das viagens e turismo surge como a área mais procurada por quem pretende mudar de profissão depois dos 50 anos. Seguem-se as áreas das artes criativas, dos media e do design, bem como a saúde, ciência e assistência.

Entre os principais motivos para uma mudança profissional encontram-se a procura de maior flexibilidade laboral, mencionada por 41% dos participantes, a vontade de alcançar maior satisfação e realização profissional, indicada por 38%, e o desejo de viver novas experiências, apontado por 32%.

Programa dedicado a profissionais experientes

Em 2024, a easyJet lançou o programa Returnships, através do qual centenas de pessoas puderam participar gratuitamente em sessões presenciais e online destinadas a dar a conhecer a profissão de tripulante de cabine.

A iniciativa surgiu depois de um estudo ter revelado que 74% dos participantes consideravam estar num momento adequado para mudar de carreira e 67% já tinham ponderado regressar ao mercado de trabalho.

Apesar desse interesse, persistiam algumas ideias pré-concebidas. Cerca de 28% dos inquiridos acreditavam que a profissão de tripulante de cabine era sobretudo destinada a pessoas jovens, enquanto 46% receavam ser os elementos mais velhos de uma equipa.

Um dos casos apresentados pela companhia é o de Francesca Hicks, que tinha 64 anos quando decidiu iniciar uma nova etapa profissional. Com experiência anterior como secretária e enfermeira especializada no acompanhamento de pessoas com demência, procurava uma forma de aplicar as suas competências num contexto diferente.

Depois de participar numa sessão de apresentação da easyJet, Francesca avançou com a candidatura e passou por várias entrevistas. Posteriormente, iniciou a formação de tripulante de cabine. Cerca de 18 meses depois, encontrava-se totalmente qualificada e já tinha realizado mais de 250 voos.

A experiência demonstrou também a importância das competências adquiridas ao longo da vida profissional. Comunicação, organização, relacionamento interpessoal e capacidade de adaptação são algumas das características que podem ser transferidas para a função de tripulante de cabine.

Experiência valorizada a bordo

O crescimento do número de profissionais mais velhos também está a contribuir para uma maior partilha de conhecimentos dentro das equipas da easyJet. Cerca de 53% dos tripulantes com mais de 50 anos dizem desempenhar um papel de mentoria junto de colegas mais jovens.

A integração parece igualmente ser positiva. Cerca de 76% afirmam sentir-se acolhidos e consideram que a idade não constitui um fator relevante no trabalho a bordo.

A perceção dos passageiros também é favorável. Segundo o estudo, 68% dos tripulantes inquiridos consideram que os viajantes apreciam encontrar uma equipa com diferentes gerações, enquanto 55% dizem notar uma reação particularmente positiva quando os passageiros veem profissionais da sua própria faixa etária a trabalhar durante o voo.

Entre os britânicos que mudaram de carreira depois dos 50 anos, 79% passaram a encarar a idade como uma vantagem profissional, em vez de uma limitação. A experiência acumulada ao longo da vida é apontada como uma fonte importante de competências, nomeadamente na resolução de problemas, na gestão de situações inesperadas ou de maior pressão e na comunicação eficaz.

Os resultados mostram ainda que 76% dos participantes sentem que a mudança de carreira renovou a sua vontade de continuar profissionalmente ativos durante os 50 e 60 anos e para além dessas idades. Um quarto pretende permanecer na nova profissão durante o máximo de tempo possível.

easyJet quer aumentar comunidade de tripulantes mais velhos

A easyJet pretende agora dar continuidade a esta estratégia através da abertura de centenas de vagas de tripulante de cabine em várias bases no Reino Unido.

A companhia considera que profissionais com mais de 50 anos podem contribuir não apenas com competências adquiridas noutras áreas, mas também com uma vasta experiência de vida, algo que pode beneficiar tanto os colegas como os passageiros.

Entre os tripulantes da easyJet com mais de 50 anos, 66% dizem sentir-se realizados através do contacto com os passageiros e 55% valorizam especialmente a diversidade da rotina profissional e a possibilidade de viver novas experiências.

Outros indicadores apontam para uma integração positiva: 80% afirmam ter-se sentido apoiados e valorizados pela sua experiência desde o primeiro dia, 75% dizem que a formação aumentou a sua confiança mais rapidamente do que esperavam e 85% mostram-se satisfeitos com o ambiente de trabalho multigeracional.

O Governo britânico também destacou a importância de criar oportunidades profissionais para trabalhadores mais experientes, defendendo que empresas que valorizam esta faixa etária podem beneficiar das competências e da experiência acumuladas ao longo de uma carreira.

As candidaturas às novas vagas de tripulante de cabine da easyJet deverão abrir em setembro de 2026, estando previstas oportunidades nas diferentes bases da companhia no Reino Unido.