A Administração Federal da Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu uma nova diretiva de aeronavegabilidade que obriga à inspeção de 471 aviões Boeing 737 MAX registados no país, após terem sido identificados relatos de fissuras numa zona estrutural da fuselagem.

A diretiva, publicada a 6 de agosto de 2026, foi motivada pela deteção de fissuras na chamada bear strap, um elemento estrutural localizado no canto superior dianteiro da abertura da porta da cozinha frontal (forward galley door).

Segundo a FAA, as inspeções terão como objetivo verificar a existência de reparações anteriores na pele da fuselagem e identificar eventuais danos ou fissuras, determinando as ações corretivas necessárias sempre que sejam encontrados problemas. O regulador norte-americano considera que a situação representa uma condição potencialmente insegura para as aeronaves afetadas.

A medida aplica-se a 471 aeronaves Boeing 737 MAX registadas nos Estados Unidos, incluindo as versões 737 MAX 8, 737 MAX 9 e 737-8200 de alta densidade.

Risco para a integridade estrutural

A FAA alerta que a presença de fissuras na pele da fuselagem e na bear strap pode comprometer a capacidade da estrutura principal suportar as cargas previstas durante a operação, afetando a integridade estrutural da aeronave.

A decisão surge na sequência de um processo iniciado em novembro de 2025, quando o regulador publicou uma proposta de diretiva após analisar o problema. A Boeing já tinha emitido, em dezembro de 2024, um boletim técnico de alerta com procedimentos para realizar inspeções visuais externas da fuselagem e definir as ações a tomar caso fossem detetadas anomalias.

Custos das inspeções

A FAA estima que a inspeção visual inicial demorará cerca de uma hora por aeronave, com um custo de aproximadamente 85 dólares por avião, representando um encargo total de cerca de 40 mil dólares para os operadores norte-americanos.

Caso seja necessário realizar inspeções mais detalhadas, incluindo ensaios por correntes parasitas (eddy current), o tempo de trabalho poderá atingir quatro horas por aeronave, elevando o custo total estimado para cerca de 160 mil dólares para todos os operadores abrangidos.

A diretiva de aeronavegabilidade entra oficialmente em vigor a 10 de setembro de 2026.

Novo desafio para a Boeing

Esta decisão representa mais um revés para a Boeing, poucas semanas depois de a FAA ter proposto outra diretiva de aeronavegabilidade relacionada com os conjuntos de fixação dos assentos de passageiros em 453 aeronaves 737 MAX.

Nesse caso, o regulador identificou a necessidade de inspeções aos sistemas de fixação dos assentos, estimando que cada avião possa ter até 69 conjuntos de assentos montados em calhas. A campanha de inspeções poderá custar mais de 2,6 milhões de dólares aos operadores norte-americanos, caso a proposta venha a ser aprovada.

Ambas as medidas abrangem modelos Boeing 737 MAX 8, MAX 9 e 737-8200 e fazem parte do processo contínuo de monitorização da segurança operacional levado a cabo pela FAA.