A Boeing inaugurou na sexta-feira, 10 de julho, uma nova linha de montagem do 737 MAX nas proximidades de Seattle, no estado de Washington, região noroeste dos Estados Unidos. A chamada quarta linha de produção do modelo representa um passo importante para a empresa, que tem enfrentado uma das maiores crises da sua história devido aos problemas associados a esta família de aviões.
Durante a cerimónia de inauguração, realizada na cidade de Everett e acompanhada por centenas de trabalhadores da Boeing, a presidente da câmara local, Cassie Franklin, destacou a importância do investimento. “Este projeto demonstra confiança nos nossos trabalhadores, na indústria transformadora dos Estados Unidos e no futuro da aviação na região de Everett”, afirmou.
Batizada de “North Line”, a nova unidade foi criada para aumentar a capacidade produtiva da Boeing, permitindo alcançar uma meta de fabrico de até 63 aeronaves 737 MAX por mês, acima das atuais 47 unidades mensais. A empresa espera ainda superar esse número no futuro.
O pico anterior de produção ocorreu em fevereiro e março de 2019, quando a fabricante entregou 52 aeronaves em cada um desses meses, um nível que ainda não voltou a ser alcançado.
O aumento da produção acontece depois de a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) ter retirado, em outubro de 2025, a limitação que restringia a produção a 38 aviões por mês. Essa medida havia sido imposta após o incidente ocorrido em janeiro de 2024 envolvendo um 737 MAX 9 que perdeu parte da fuselagem durante um voo, pouco tempo depois de ser entregue.
O episódio expôs falhas significativas nos processos de fabrico e controlo de qualidade da Boeing, agravando uma crise que afetou a reputação da empresa. Desde então, a companhia tem implementado mudanças nos procedimentos de produção e fiscalização, sob a liderança do presidente executivo Kelly Ortberg, numa tentativa de recuperar a confiança do mercado.
A nova linha de Everett tem uma característica especial: é a única instalação da Boeing preparada para fabricar integralmente o 737 MAX 10, a maior versão da família MAX, cuja certificação enfrenta um atraso de aproximadamente três anos.
A unidade conta atualmente com cerca de mil trabalhadores, sendo que metade foi transferida da fábrica de Renton, onde o 737 MAX era anteriormente produzido em três linhas de montagem. Como a expansão em Renton se tornou inviável, a Boeing decidiu instalar a nova linha na fábrica de Everett, localizada a cerca de 50 quilómetros de distância.
A fábrica de Everett, considerada em 2024 o maior edifício do mundo em volume interno, dedicava-se principalmente à produção dos modelos de grande porte 777 e 767 cargueiro desde que a produção do 787 Dreamliner foi transferida integralmente para a Carolina do Sul, em 2021. Para adaptar as instalações e criar a nova linha de montagem, a Boeing investiu cerca de mil milhões de dólares.
O processo de montagem segue um modelo semelhante ao utilizado nas três linhas de Renton: as fuselagens fabricadas em Wichita, no estado do Kansas, passam por dez estações de trabalho, onde recebem asas, sistemas elétricos, motores, interiores e outros componentes até ficarem prontas para operação.
A Boeing ainda não informou quando será concluída a primeira aeronave produzida nesta nova instalação. A primeira fuselagem do 737 MAX 10, contudo, já entrou na linha de montagem.
Considerado o avião comercial mais vendido da Boeing, o 737 MAX possui aproximadamente 4.400 encomendas, dentro de uma carteira total próxima de 6.800 pedidos envolvendo todos os modelos comerciais da fabricante. Apesar do sucesso comercial, o programa tornou-se também o mais problemático da empresa desde o seu lançamento, em agosto de 2011.
Os episódios mais graves ocorreram nos acidentes envolvendo a Lion Air, em outubro de 2018, e a Ethiopian Airlines, em março de 2019. As duas tragédias, que resultaram na morte de 346 pessoas, foram associadas a falhas no sistema automático de controlo de voo MCAS, instalado nos modelos 737 MAX 8.
Após os acidentes, toda a frota mundial do 737 MAX permaneceu proibida de voar durante cerca de vinte meses, provocando enormes prejuízos financeiros e uma profunda crise de confiança na Boeing.




