Dois sismos de grande intensidade, com magnitudes estimadas entre 7,1 e 7,5 na escala de Richter, atingiram a Venezuela na tarde desta quarta-feira, 24 de junho, provocando um elevado número de vítimas. Vários edifícios colapsaram e o pânico espalhou-se por diferentes zonas da capital, Caracas, bem como por estados vizinhos, onde os abalos também foram sentidos e causaram danos significativos. O Aeroporto Internacional que serve a capital encontra-se encerrado, e há tripulantes portugueses, ao serviço das companhias Hi Fly e TAP Air Portugal, que permanecem retidos no local. Os tripulantes da TAP Air Portugal estavam alojados num hotel que ruiu parcialmente, mas, segundo as últimas informações, já foram alojados noutra unidade hoteleira.
As equipas de emergência e resgate estão já no terreno, mas até às 03h00 UTC de quinta-feira, 25 de junho, ainda não tinham sido divulgados dados oficiais sobre o número de vítimas ou a dimensão total da destruição, que, segundo imagens difundidas por vários meios de comunicação internacionais, é bastante extensa.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o balanço final poderá ultrapassar os 10 mil afetados. Os sismos ocorreram por volta das 18h05 locais (22h05 UTC) e foram igualmente sentidos na Colômbia e no norte do Brasil, incluindo os estados do Pará, Amapá e Amazonas. Em Manaus, residentes relataram a oscilação de móveis no interior das habitações, tendo muitas pessoas saído para a rua por receio de desabamentos.
As imagens transmitidas por diferentes canais internacionais indicam ainda a existência de pessoas presas sob os escombros em várias áreas, sendo considerada urgente a necessidade de apoio humanitário internacional. Diversos edifícios residenciais e comerciais ruíram total ou parcialmente, e muitos dos que continuam de pé apresentam danos estruturais graves. As equipas locais de socorro enfrentam limitações em termos de pessoal, equipamentos e maquinaria, o que torna crítico o tempo de resposta para o salvamento de sobreviventes.
Os estados de Trujillo, Falcón, Carabobo, Miranda, La Guaira e a própria capital terão sido os mais afetados. Registam-se danos estruturais severos e múltiplos colapsos de edifícios. Várias construções foram evacuadas por risco de desabamento, incluindo hospitais, e estão a ser organizadas operações com recurso a maquinaria pesada nas zonas mais atingidas. As autoridades apelam à população para permanecer em locais seguros e evitar deslocações desnecessárias, de forma a não dificultar o trabalho das equipas de emergência.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, no estado de La Guaira — que serve Caracas, situada a cerca de 40 quilómetros — permanece encerrado desde o momento dos sismos, após ter sofrido danos relevantes, sobretudo nas áreas de atendimento e embarque, incluindo o colapso parcial de coberturas.
Um avião da Hi Fly, com tripulação portuguesa, já tinha concluído o embarque e aguardava autorização para descolar rumo a Madrid quando ocorreu o evento sísmico. A aeronave não chegou a levantar voo e permanece em solo, à espera de novas instruções. Trata-se de um Airbus A330-300, matrícula 9H-HFI, fretado em regime ACMI pela companhia venezuelana Laser Airlines, operando a ligação Caracas–Madrid–Caracas.
Não há registo de aeronaves atingidas por destroços nem de vítimas na área do aeroporto. Em comunicado, a Hi Fly informa que todos os tripulantes se encontram fora de perigo, sem registo de ferimentos e que se encontram em local seguro.
A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, dirigiu-se ao país e declarou a situação de Emergência Nacional. Foram recebidas mensagens de solidariedade de vários países, alguns dos quais já manifestaram intenção de enviar equipas de socorro.
A responsável afirmou ainda que o aeroporto de Maiquetía continuará encerrado devido aos danos estruturais significativos, enquanto outros aeroportos do país, fora da região da capital, deverão manter-se operacionais após avaliações previstas para a manhã de quinta-feira, 25 de junho.




