Quarenta tripulantes portugueses das companhias TAP e Hi Fly continuam retidos em Caracas na sequência dos sismos que atingiram a Venezuela na quarta-feira. As autoridades ainda não conseguem indicar quando será possível o regresso a Portugal, devido aos danos registados no aeroporto e às dificuldades logísticas no país.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), trata-se de elementos de três tripulações que ficaram impedidas de sair após dois abalos sísmicos de grande intensidade, com magnitudes de 7,1 e 7,5 na escala de Richter.

Entre os afetados estão 11 tripulantes da TAP, que estavam alojados no Hotel Marriott situado perto do aeroporto e que acabou por ruir. Apesar do colapso do edifício, todos se encontram fora de perigo, embora tenham ficado psicologicamente afetados pelo sucedido. Após o incidente, foram realojados noutra unidade hoteleira em Caracas.

Regista-se apenas um ferido ligeiro entre os tripulantes da TAP, ocorrido durante a evacuação do hotel, sem necessidade de cuidados médicos especializados.

No caso da Hi Fly, uma das tripulações encontrava-se a embarcar quando ocorreu o sismo. O avião, Airbus A330-300 9H-HFI, sofreu danos materiais depois de uma manga de embarque ter colidido com a aeronave. Não há, no entanto, registo de feridos entre estes tripulantes, cujo novo alojamento não foi divulgado. Em comunicado, a Hi Fly informa que todos os tripulantes se encontram fora de perigo, sem registo de ferimentos e que se encontram em local seguro.

O aeroporto também sofreu danos estruturais, incluindo a inoperacionalidade de uma das pistas, o que está a dificultar a normalização das operações. As avaliações à situação continuam a decorrer, mas ainda não existe previsão para a reabertura total.

As autoridades portuguesas confirmaram que, até ao momento, não há registo de cidadãos nacionais entre as vítimas mortais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros recebeu ainda alguns pedidos de ajuda para localizar familiares que perderam contacto.

Os sismos provocaram forte destruição em várias zonas da Venezuela, especialmente na região de La Guaira, onde vários edifícios colapsaram ou ficaram gravemente danificados. Segundo dados oficiais, o balanço provisório aponta para centenas de vítimas, entre mortos e feridos.