A Autoridade Nacional da Aviação Civil voltou a colocar a qualidade do ar na cabine e os episódios de odores a bordo entre os temas que exigem maior acompanhamento no setor aeronáutico, durante uma conferência técnica realizada no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa.

Durante a intervenção, a autoridade explicou que este tipo de ocorrências já está abrangido pelo regulamento europeu de reporte obrigatório e reconheceu que continua a ser um desafio identificar causas concretas e reunir dados suficientemente consistentes para apoiar decisões técnicas e operacionais. Segundo a ANAC, muitos dos relatórios recebidos chegam incompletos ou com informação não estruturada, o que torna mais difícil a análise e a deteção de padrões.

A autoridade sublinhou ainda que este não é um tema exclusivamente português. Nos últimos anos, operadores nacionais reportaram episódios em vários países europeus, levando Portugal a defender uma abordagem mais integrada no espaço europeu e maior uniformização nos processos de reporte entre Estados-membros.

Outro dos pontos em destaque foi a possibilidade de recorrer a novas ferramentas de Inteligência Artificial para apoiar a análise de grandes volumes de informação técnica e transformar relatórios descritivos em dados mais úteis para a supervisão aeronáutica.

A ANAC confirmou também que esta matéria integra atualmente as prioridades do plano nacional de segurança da aviação e que está envolvida em trabalhos técnicos com outras entidades para aprofundar conhecimento e apoiar futuras medidas.