Ryanair Açores

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), sediada em São Miguel, divulgou esta quarta-feira, 15 de abril, um comunicado onde manifesta preocupação com a diminuição significativa da oferta de voos para os Açores durante o verão de 2026, bem como com a falta de alternativas após a saída da Ryanair da região.

De acordo com a direção da associação, que representa empresas de São Miguel e Santa Maria, a capacidade aérea deverá cair cerca de 11,57%, o que corresponde a menos 130 mil lugares face ao mesmo período de 2025, considerando os cinco aeroportos do arquipélago. O impacto mais acentuado verifica-se em Ponta Delgada, com uma redução superior a 110 mil lugares.

A análise da CCIPD baseia-se em dados do portal Visit Azores, responsável pela promoção turística regional, e destaca uma quebra particularmente expressiva no Aeroporto João Paulo II, principal porta de entrada dos Açores. Neste caso, a oferta diminui 13,22%, passando de mais de 851 mil para cerca de 739 mil lugares disponíveis.

Segundo a associação, esta redução representa uma mudança estrutural relevante no mercado aéreo da região, agravada pelo facto de não estar a ser compensada por outras companhias. Como resultado, verifica-se uma diminuição efetiva da acessibilidade aérea ao principal destino turístico açoriano.

A entidade sublinha ainda que esta tendência contrasta com o que se observa no continente português, que tem beneficiado do contexto internacional, atraindo turistas desviados de regiões afetadas por conflitos no Médio Oriente.

Nos restantes aeroportos açorianos, a diminuição também se faz sentir, embora de forma menos intensa. A Terceira perde cerca de 19 mil lugares e Santa Maria cerca de 3 mil, refletindo igualmente reduções nas operações da Azores Airlines e da SATA Air Açores. Em sentido contrário, os aeroportos do Pico e da Horta registam ligeiros aumentos, mas com impacto pouco significativo no total regional.

Para a CCIPD, os dados para o verão de 2026 confirmam um cenário preocupante, sobretudo em Ponta Delgada, associado à ausência de substituição da operação anteriormente assegurada pela Ryanair.

A associação alerta ainda para possíveis consequências ao nível do emprego e da contratação sazonal, com impacto direto no setor do turismo e nos seus efeitos na economia regional.

Perante este contexto, a direção defende a necessidade urgente de implementar medidas que promovam a captação de novas rotas e reforcem a conectividade aérea, de forma a mitigar os efeitos desta redução.

Recorde-se que, em janeiro, o diretor executivo da Ryanair, Michael O’Leary, anunciou o encerramento da base da companhia nos Açores no final de março, decisão que se concretizou apesar das tentativas do Governo Regional para manter a operação, iniciada em 2015.