O grupo IAG, proprietário da Iberia, British Airways, Vueling e Aer Lingus, mantém o interesse na privatização da TAP Air Portugal, mas deixa claro que apenas continuará no processo se existir um caminho definido para a obtenção do controlo maioritário da companhia aérea portuguesa. A informação foi avançada pelo jornal espanhol Expansión.
O Governo português tem como objectivo alienar até 49,9% do capital da TAP, procurando um parceiro estratégico que contribua para a sustentabilidade financeira e operacional da empresa. Neste modelo, o Estado conservaria 50,1% das acções, enquanto 5% ficariam reservados aos trabalhadores.
Esta estrutura já despertou a atenção dos principais grupos aéreos europeus, nomeadamente o IAG, a Lufthansa e o grupo Air France-KLM, que deverão apresentar propostas não vinculativas nos próximos meses.
No entanto, o IAG considera que uma participação minoritária não se enquadra no seu modelo industrial nem compensa o risco associado a uma operação desta dimensão. O grupo liderado por Luis Gallego privilegia posições de controlo que lhe permitam gerir de forma autónoma áreas-chave como a frota, a rede de rotas, a estratégia comercial e os programas de fidelização, sem constrangimentos de natureza política ou bloqueios por parte de outros accionistas. Para o IAG, apenas com esse nível de controlo será possível gerar sinergias relevantes e justificar um investimento potencialmente avaliado em várias centenas de milhões de euros.
Outro ponto sensível prende-se com as exigências regulatórias associadas ao processo. O Governo português pretende que o comprador aceite, à partida, eventuais medidas correctivas impostas pela Comissão Europeia, em particular no que respeita à cedência de rotas e slots.
Esta abordagem visa evitar situações semelhantes à tentativa falhada de aquisição da Air Europa pelo IAG, travada após anos de negociações devido às rigorosas condições impostas por Bruxelas. Ainda assim, para o grupo anglo-espanhol, comprometer-se antecipadamente com obrigações cujo impacto não é totalmente conhecido representa um risco regulatório elevado e dificulta uma avaliação rigorosa da rentabilidade futura da operação.
