A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) poderá vir a operar mais de uma dezena de aeronaves derivadas do Boeing 747 na sequência de uma possível ampliação do programa dos aviões conhecidos como “Dia do Juízo Final”.

Os futuros E-4C Nightwatch destinam-se a substituir os atuais quatro E-4B, versões modificadas do Boeing 747-200 concebidas para missões de comando e controlo estratégico. Estas aeronaves, tradicionalmente associadas ao transporte do Secretário da Defesa, estão equipadas com sistemas avançados de proteção e comunicações, permitindo manter contacto permanente com forças aéreas em operação, centros de mísseis balísticos e submarinos nucleares. A sua função principal é assegurar a cadeia de comando mesmo no cenário extremo de um ataque ao território norte-americano, incluindo um conflito nuclear de grande escala.

Numa fase inicial, a Sierra Nevada Corporation (SNC) foi contratada pela USAF para converter quatro Boeing 747-8i na versão E-4C. Uma quinta aeronave deverá ser utilizada para investigação na Universidade Estatal de Wichita (WSU), funcionando também como reserva operacional caso algum dos Nightwatch fique indisponível.

Os cinco aviões foram adquiridos à Korean Air, uma vez que a Boeing encerrou a produção do 747 há alguns anos, tendo as últimas unidades sido fabricadas na versão cargueira 747-8F, e não na variante de passageiros 747-8i.

Contudo, a USAF estará agora a considerar a encomenda de mais três E-4C à SNC, através de uma adenda ao contrato em vigor. A revista Aviation Week teve acesso a material de uma apresentação do Corpo de Engenharia do Exército dos EUA que revela planos para alterações significativas na Base Aérea de Offutt, no estado do Nebraska.

De acordo com essa informação, a base — que atualmente acolhe sobretudo aeronaves de inteligência e missões altamente especializadas — deverá ver o seu pátio expandido para acomodar até sete E-4C, um número superior ao atualmente contratado. Estão igualmente previstos, até 2028, a construção de um hangar capaz de albergar dois 747-8i de portas fechadas e de um segundo hangar mais simples, equipado com ponto de reabastecimento. No total, a infraestrutura poderá receber cerca de oito aeronaves em simultâneo, dependendo da configuração final.

Este reforço de capacidade não está relacionado com os VC-25B, os futuros Air Force One, que também resultam da conversão de 747-8i. Em visitas presidenciais, essas aeronaves utilizam o pátio comum da base, fora da área operacional dos esquadrões ali sediados.

Se o plano avançar, a SNC terá de voltar a negociar a aquisição de aeronaves, uma vez que os 747-8i disponíveis se encontram atualmente ao serviço de companhias como a Air China, a Lufthansa e a Korean Air. Por razões geopolíticas, um acordo com a companhia chinesa é considerado improvável, enquanto a Lufthansa poderá estar disponível para vender mais aparelhos. A Korean Air, por sua vez, mantém exatamente quatro unidades do modelo em operação, um número que poderá corresponder às necessidades da USAF.

Existe ainda a hipótese, mais complexa do ponto de vista administrativo, de adquirir um 747-8 na versão BBJ (Boeing Business Jet), operado por vários governos, incluindo os do Brunei, Qatar, Egito, Turquia, Marrocos ou Kuwait.

Com a eventual incorporação de mais três E-4C, a Força Aérea dos Estados Unidos poderá vir a dispor de cerca de 13 Jumbos modernos na sua frota, somando os oito Nightwatch previstos, os dois VC-25B atualmente em conversão, um VC-25 de reserva doado pelo Catar e dois 747 recentemente adquiridos à Lufthansa para treino e futura utilização de componentes.