Mais de 11.000 voos foram cancelados nos Estados Unidos para sábado e domingo, na sequência de uma poderosa tempestade de inverno que está a atingir vastas regiões do país, provocando queda intensa de neve, chuva gelada, acumulação de gelo e temperaturas perigosamente baixas.
O sistema meteorológico deverá afetar um corredor com quase 3.200 quilómetros de extensão, desde o sul das Montanhas Rochosas até à região da Nova Inglaterra. Os meteorologistas alertam para condições de viagem extremamente difíceis pelo menos até segunda-feira. De acordo com as autoridades meteorológicas norte-americanas, mais de 200 milhões de pessoas encontram-se sob alertas ou avisos de tempestade de inverno.
As perturbações nos voos intensificaram-se rapidamente desde que as companhias aéreas começaram a cancelar ligações de forma preventiva no início da semana. Se até quinta-feira à tarde já tinham sido anulados cerca de 1.000 voos, o número aumentou de forma significativa à medida que as transportadoras ajustam os horários para minimizar problemas de posicionamento de aeronaves e tripulações.
Os grandes hubs do Texas, do Midwest e do Nordeste estão entre os mais afetados. O aeroporto internacional de Dallas–Fort Worth é um dos mais atingidos, com milhares de cancelamentos registados durante o fim de semana. Aeroportos em Chicago, Denver, Atlanta e Nova Iorque também enfrentam uma crescente pressão operacional.
As companhias aéreas continuam a retirar voos das suas programações de forma proativa, tentando evitar congestionamento nos aeroportos e atrasos prolongados em terra, causados por operações de degelo, pistas contaminadas e deterioração das condições meteorológicas.
A gravidade da tempestade levou à declaração do estado de emergência em pelo menos 17 estados norte-americanos e no Distrito de Columbia. Estas declarações permitem aos governos ativar mecanismos de resposta de emergência e mobilizar recursos adicionais para gerir as perturbações nos transportes e os riscos para a segurança pública.
Nove estados ativaram também as respetivas unidades da Guarda Nacional, que estão a prestar apoio em operações de emergência, incluindo limpeza de estradas, transporte médico e apoio logístico.
A secretária da Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, apelou à população para evitar deslocações não essenciais nos próximos dois dias, alertando que as condições nas estradas e nos aeroportos poderão tornar-se potencialmente fatais em algumas regiões. Vários serviços federais já anunciaram o encerramento de instalações na segunda-feira, prevendo-se que o tempo adverso persista.
As transportadoras norte-americanas alargaram as políticas de flexibilidade para passageiros afetados. A Delta Air Lines confirmou cancelamentos preventivos em aeroportos do norte do Texas, Oklahoma, Arkansas, Louisiana e Tennessee, ao mesmo tempo que estendeu opções de remarcação flexível a grande parte do leste dos EUA, incluindo mercados como Boston, Nova Iorque e Filadélfia.
A American Airlines anunciou uma política semelhante, abrangendo 34 aeroportos, permitindo que clientes com bilhetes adquiridos antes de 19 de janeiro para viagens entre 23 e 25 de janeiro alterem os seus itinerários sem taxas de alteração, desde que a origem e o destino se mantenham.
Outras grandes companhias, como a United Airlines e a Southwest Airlines, também implementaram medidas de flexibilidade e continuam a ajustar as operações à evolução da tempestade.
As companhias aéreas e as autoridades aeroportuárias continuam a acompanhar de perto a situação meteorológica. Com previsão de chuva gelada e sensações térmicas negativas em várias regiões, analistas do setor da aviação alertam que são prováveis mais cancelamentos e atrasos até ao início da próxima semana.
