Os voos da TAP Air Portugal entre Lisboa e Caracas, capital da República Bolivariana da Venezuela, passaram a incluir uma paragem técnica, no trajeto de ida, no Aeroporto de Pointe-à-Pitre, na ilha de Guadalupe, nas Caraíbas. A alteração foi motivada por razões de segurança.
A primeira escala nesta ilha francesa realizou-se no sábado, 8 de novembro. Nessa ocasião, a tripulação que partira de Lisboa foi substituída por outra que havia pernoitado em Guadalupe, prosseguindo esta até Caracas e, posteriormente, no voo de regresso a Lisboa.
Atualmente, a TAP opera dois voos por semana entre Portugal e a Venezuela, às quartas-feiras e aos sábados, utilizando aviões Airbus A330-900neo.
Em anos anteriores, a transportadora portuguesa já tinha adotado medidas semelhantes, também por motivos de segurança, efetuando escalas em Curaçau, nas Antilhas Holandesas. Na altura, as tripulações enfrentaram vários incidentes em Caracas, incluindo furtos e perseguições.
A preocupação mantém-se, mesmo com as tripulações agora a pernoitarem no Estado de La Guaira (antigo Vargas), mais próximo do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía. A situação é agravada pelo atual contexto de instabilidade política e social na Venezuela, marcado pelo confronto entre o governo de Nicolás Maduro e a administração norte-americana, então liderada por Donald Trump, que tem ameaçado retirar o dirigente venezuelano do poder. A tensão aumentou ainda mais com a deslocação de unidades navais dos Estados Unidos para o mar das Caraíbas e para Porto Rico.
Esta escala em Guadalupe deverá manter-se até 29 de novembro. No entanto, fontes portuguesas não excluem a possibilidade de prolongar essa medida, dependendo da evolução da situação no país sul-americano.
A TAP não tem planos de suspender os voos para Caracas, uma rota que mantém grande importância tanto como ligação entre a Europa e a Venezuela, como para a comunidade portuguesa — especialmente madeirense — residente no país.
Guadalupe, território ultramarino francês, oferece voos diários para Paris e dispõe de infraestrutura técnica para aeronaves Airbus A330, fatores que também influenciaram a decisão da companhia aérea.
