Várias pessoas ficaram feridas na sequência de um novo ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, capital da Arábia Saudita. O incidente levou à suspensão das operações aeroportuárias e motivou alertas de segurança por parte de várias representações diplomáticas ocidentais.
A Autoridade da Aviação Civil saudita confirmou a interrupção das operações neste sábado, na sequência do ataque. Segundo a agência Reuters, que cita uma testemunha no local, mais de uma dezena de ambulâncias deslocou-se ao aeroporto para prestar assistência aos feridos. Uma fonte hospitalar, citada pela AFP, indicou que dezenas de pessoas poderão ter ficado feridas.
Uma testemunha relatou ter presenciado o impacto do ataque junto à porta 401, no terminal doméstico, descrevendo momentos de pânico e pessoas feridas. Entretanto, a Embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita confirmou estar a acompanhar a situação e aconselhou os cidadãos norte-americanos a evitarem o aeroporto e as zonas envolventes.
Várias embaixadas ocidentais emitiram igualmente recomendações para que os seus cidadãos não se desloquem ao local. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico aconselhou os cidadãos do Reino Unido a permanecerem afastados até que o aeroporto seja considerado seguro, recomendando ainda o acompanhamento das indicações das autoridades sauditas.
O incidente surge após uma série de ataques recentes contra infraestruturas aeroportuárias sauditas, atribuídos aos rebeldes Houthi, apoiados pelo Irão. As autoridades sauditas tinham anunciado anteriormente a morte de três cidadãos do país, incluindo um piloto, em dois ataques contra o aeroporto de Riade. Outros três mortos foram registados em ataques Houthi contra dois aeroportos sauditas nos dias 6 e 7 de outubro.
Na sequência do novo ataque, várias companhias aéreas do Golfo suspenderam voos de e para Riade, invocando preocupações de segurança. Os dados do serviço de monitorização de tráfego aéreo Flightradar24 indicavam que os voos com destino à capital saudita estavam a ser cancelados ou desviados para outros aeroportos. Fontes médicas referiram ainda que foi solicitado o reforço de pessoal nos hospitais para responder à emergência.
Escalada do conflito no Iémen
O ataque ocorre num período de agravamento dos confrontos entre as forças governamentais do Iémen, apoiadas pela Arábia Saudita, e os rebeldes Houthi, que controlam grande parte do noroeste do país. O movimento rebelde justifica as ações contra território saudita com o apoio de Riade ao Governo iemenita.
A intensificação dos combates está também relacionada com a recente ofensiva Houthi na costa do mar Vermelho, incluindo a tomada de posições em áreas de importância estratégica. Entre os locais referidos está o porto de Mokha, próximo do estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem marítima fundamental para o comércio internacional, por ligar o mar Vermelho ao golfo de Áden. Forças iemenitas pró-governamentais afirmaram entretanto ter assegurado o controlo do estreito.
A intervenção militar liderada pela Arábia Saudita começou em 2015, quando uma coligação de países árabes procurou impedir que os Houthi derrubassem o Governo iemenita internacionalmente reconhecido.
Em 2022, foi alcançado um cessar-fogo temporário, após anos de ataques aéreos e combates terrestres que provocaram centenas de milhares de mortos, segundo estimativas associadas ao conflito, e contribuíram para uma das mais graves crises humanitárias do mundo.
Contudo, a trégua informal começou a deteriorar-se em julho. Os Houthi anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e intensificaram os ataques com mísseis e drones contra aeroportos, instalações petrolíferas e petroleiros sauditas no mar Vermelho. O grupo afirma que estas ações constituem uma resposta ao que considera ser um bloqueio saudita prolongado e a um ataque aéreo contra o aeroporto de Sana’a.
A evolução da situação poderá ter consequências significativas para a segurança da aviação civil na região, bem como para as ligações aéreas internacionais e para o tráfego marítimo numa das principais rotas comerciais mundiais.





