Em entrevista exclusiva à Aviação TV durante o World Aviation Festival 2026, em Lisboa, Ursula Silling, CEO da Branchspace, revelou o envolvimento da empresa no projeto de transformação da TAP Air Portugal, explicou a nova aliança tecnológica com a 2e Systems e analisou os desafios que as companhias aéreas enfrentam na modernização dos seus sistemas. A responsável defende que o futuro da aviação passa por uma mudança profunda na forma como as transportadoras operam, comunicam com os passageiros e comercializam os seus serviços.

A indústria da aviação comercial atravessa uma transformação que vai muito além da introdução de novas aplicações móveis, sistemas de reservas ou ferramentas de inteligência artificial. Em causa está uma mudança estrutural na forma como as companhias aéreas organizam os seus processos internos, gerem a relação com os clientes e integram diferentes tecnologias numa operação cada vez mais complexa.

Foi neste contexto que a Aviação TV entrevistou Ursula Silling, CEO da Branchspace, durante o World Aviation Festival 2026, realizado em Lisboa entre 13 e 15 de outubro.

Ursula Silling, CEO da Branchspace

A conversa decorreu num momento particularmente relevante para o sector e para Portugal, marcado pela decisão do Governo português sobre o futuro acionista privado da TAP Air Portugal e pelo anúncio de uma nova aliança comercial entre a Branchspace e a tecnológica alemã 2e Systems.

Ao longo da entrevista, Ursula Silling abordou a evolução do mercado tecnológico da aviação, as dificuldades enfrentadas pelas companhias na modernização de sistemas tradicionais, os desafios da proteção de dados e a necessidade de proporcionar aos passageiros uma experiência digital comparável à de outros sectores económicos. Mas um dos pontos mais relevantes da conversa esteve diretamente relacionado com a TAP.

Branchspace confirma papel no projeto de transformação da TAP

Ursula Silling confirmou à Aviação TV que a Branchspace Consulting está envolvida no projeto Horizon, um programa de transformação da TAP destinado a rever processos, identificar oportunidades de melhoria e preparar a companhia para uma nova fase da sua evolução tecnológica e organizacional.

Segundo a responsável, a intervenção da empresa portuguesa de bandeira não se limita à seleção ou implementação de ferramentas informáticas. A Branchspace participa na vertente de consultoria estratégica, ajudando a companhia a analisar os seus atuais processos, questionar métodos de trabalho e definir soluções para melhorar a eficiência e a experiência dos passageiros.

Silling explicou que se trata de um programa de grande dimensão e importância para a TAP, no qual a Branchspace assume o papel de consultora-chave. A executiva recordou as intervenções de Carlos Oliveira, presidente do Conselho de Administração da TAP, e de Luís Rodrigues, presidente executivo da transportadora, durante o World Aviation Festival, sublinhando que a tecnologia deve ser entendida como um instrumento ao serviço da estratégia empresarial.

Na sua perspetiva, a transformação digital não pode consistir simplesmente na substituição de sistemas antigos por plataformas mais recentes. É necessário compreender primeiro aquilo que a companhia pretende alcançar, identificar as limitações da sua organização e determinar de que forma a tecnologia poderá permitir trabalhar de maneira diferente. Esta abordagem envolve também a gestão da mudança interna, uma componente frequentemente menos visível dos grandes programas tecnológicos.

Modificar procedimentos consolidados durante décadas, integrar departamentos e preparar os trabalhadores para novos métodos de trabalho pode revelar-se tão exigente como a implementação das próprias soluções informáticas. A entrevista permitiu ainda esclarecer um ponto importante: o trabalho desenvolvido com a TAP pertence à área independente de consultoria da Branchspace e não representa, por si só, um contrato de fornecimento das plataformas tecnológicas da nova aliança com a 2e Systems.

Um projeto que não depende da entrada de um novo acionista

A ligação da Branchspace à TAP assume especial relevância devido ao processo de privatização da transportadora portuguesa. Ursula Silling explicou que a administração da TAP tinha manifestado a intenção de continuar a desenvolver o seu programa de transformação independentemente da identidade do futuro parceiro estratégico.

A responsável considerou esta posição particularmente importante, uma vez que os programas de modernização tecnológica exigem planeamento prolongado e não podem ficar permanentemente dependentes de decisões acionistas. A conversa decorreu quando era aguardada a decisão governamental sobre o novo parceiro privado da TAP.

Entretanto, a 14 de outubro, o Governo português anunciou a escolha do Lufthansa Group como futuro parceiro estratégico da companhia, no âmbito da operação de privatização parcial. Embora a entrada do grupo alemão ainda dependa da conclusão dos procedimentos necessários, a decisão introduz um novo enquadramento para o futuro da transportadora.

Neste contexto, o testemunho de Ursula Silling ganha particular significado. A TAP terá de conciliar o seu próprio programa de modernização com uma futura estrutura acionista e com as oportunidades de integração tecnológica e comercial que poderão resultar da aproximação ao Lufthansa Group.

A responsável não antecipou consequências concretas da entrada do grupo alemão no projeto Horizon, nem revelou calendários, valores contratuais ou objetivos operacionais específicos. Contudo, a mensagem transmitida foi clara: a preparação tecnológica e organizacional de uma companhia aérea constitui um processo contínuo, que não deve ser interrompido durante períodos de transição estratégica.

Duas empresas unem competências para disputar o mercado tecnológico da aviação

Outro tema central da entrevista foi a apresentação da aliança comercial branchspace × 2e, anunciada oficialmente durante o World Aviation Festival. A parceria reúne duas empresas especializadas em tecnologias destinadas à aviação comercial, mas com competências que se complementam.

A Branchspace, fundada em 2013, desenvolve soluções de comércio digital e presta serviços de consultoria estratégica.
A 2e Systems, criada em 2000, possui uma experiência consolidada no desenvolvimento de software para companhias aéreas, particularmente em sistemas de comunicação com passageiros, tripulações e pessoal de terra, gestão de irregularidades operacionais e integração tecnológica. Em conjunto, as duas empresas acumulam cerca de quatro décadas de experiência no sector.
Ursula Silling fez questão de esclarecer que a operação não corresponde a uma fusão empresarial, mas a uma colaboração destinada a apresentar ao mercado uma oferta tecnológica mais abrangente.

A aliança pretende permitir que as transportadoras escolham diferentes soluções de acordo com as suas necessidades, sem ficarem obrigadas a substituir integralmente os sistemas que já utilizam. Esta flexibilidade é particularmente importante numa indústria onde muitas plataformas informáticas foram desenvolvidas ao longo de décadas e continuam profundamente integradas nas operações comerciais e aeroportuárias.

A responsável reconheceu que as companhias aéreas tendem a adotar uma posição conservadora quando avaliam potenciais fornecedores tecnológicos. Mesmo quando uma empresa apresenta soluções inovadoras, os responsáveis pelas transportadoras precisam de garantias sobre a capacidade de implementação, assistência técnica, continuidade operacional e presença internacional. A dimensão do fornecedor pode, por isso, influenciar a decisão de compra.

Ao unir competências, a Branchspace e a 2e Systems pretendem responder a essas preocupações, combinando a agilidade de empresas especializadas com uma estrutura de serviços mais abrangente.

Um mercado de 34 companhias clientes e uma concorrência exigente

A nova aliança apresenta atualmente uma carteira conjunta de 34 companhias aéreas, distribuídas por quatro continentes.
Entre as transportadoras identificadas encontram-se a British Airways, American Airlines, Air France, KLM, Lufthansa, TAP Air Portugal, Turkish Airlines, JetBlue, Oman Air, Kenya Airways e Virgin Australia.

Os serviços prestados variam entre clientes, abrangendo diferentes áreas de tecnologia e consultoria. Questionada sobre sobre a presença relativamente limitada das empresas em determinados mercados, nomeadamente no Médio Oriente e na Ásia, Ursula Silling reconheceu que ainda existe potencial de crescimento nessas regiões, embora tenha salientado que a adoção de novas soluções tecnológicas depende de vários fatores.

Entre eles encontram-se a duração dos contratos existentes, a arquitetura informática de cada transportadora e a decisão estratégica de desenvolver internamente determinadas plataformas. Emirates foi um dos exemplos discutidos. A companhia do Dubai possui uma estrutura tecnológica própria e desenvolveu ao longo dos anos diferentes soluções adaptadas às suas necessidades.

Segundo Silling, uma transportadora desta dimensão pode preferir manter o controlo direto sobre parte dos seus sistemas, embora essa opção implique investimentos significativos e equipas especializadas. A responsável defendeu que desenvolver tecnologia internamente nem sempre representa a alternativa mais rápida ou economicamente eficiente.

A utilização de plataformas já existentes pode acelerar determinados projetos e permitir que as companhias concentrem os seus recursos nas áreas onde conseguem acrescentar maior valor. Esta possibilidade não exclui o desenvolvimento próprio. Pelo contrário, Silling explicou que os sistemas modulares permitem combinar soluções externas com componentes criados pelas próprias transportadoras.

A Oman Air constitui um exemplo da implementação de tecnologia da Branchspace no Médio Oriente. A companhia utilizou a plataforma Triplake para renovar a sua experiência digital de reservas e vendas. De acordo com resultados anteriormente divulgados pela Branchspace, a percentagem de reservas efetuadas diretamente através do website e das aplicações da Oman Air passou de cerca de 20% para valores que chegaram aos 70%.

Trata-se de um indicador comercial relevante, embora não permita, isoladamente, avaliar todos os custos ou resultados financeiros associados ao projeto. A empresa também reforçou a sua presença internacional com uma estrutura em Manila, nas Filipinas, destinada a aproximar as equipas dos mercados asiáticos e a melhorar a capacidade de acompanhamento dos clientes em diferentes fusos horários. A Branchspace possui igualmente uma estrutura em Lisboa, onde desenvolve parte das suas atividades.

O fim dos sistemas tradicionais e a mudança para o comércio digital

Uma das transformações mais profundas atualmente discutidas na indústria é a evolução para o modelo conhecido como Modern Airline Retailing. O conceito, promovido internacionalmente pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), pretende aproximar a comercialização dos serviços das companhias aéreas dos modelos utilizados por outras atividades de comércio digital.

Historicamente, a venda de transporte aéreo tem dependido de sistemas de reservas complexos, construídos em torno de tarifas, classes de reserva, bilhetes eletrónicos e diferentes registos administrativos. Embora estas estruturas continuem a assegurar diariamente milhões de operações, apresentam limitações na personalização de serviços e na introdução de novos modelos comerciais.

O sector está, por isso, a desenvolver uma transição para sistemas baseados em ofertas e encomendas, habitualmente designados Offer & Order. Na prática, o objetivo é permitir que a companhia organize e comercialize os seus produtos de maneira mais flexível, reunindo diferentes componentes da viagem numa experiência digital integrada. Esta abordagem poderá facilitar a aquisição de serviços adicionais, a alteração de reservas e a comunicação entre os diferentes intervenientes.

Ursula Silling considera que as companhias aéreas precisam de proporcionar experiências semelhantes às que os consumidores já encontram noutras plataformas digitais. A responsável defendeu que o passageiro deve conseguir utilizar o canal da sua preferência, aceder à informação necessária e realizar operações com o mínimo de dificuldades. A inteligência artificial poderá assumir um papel crescente neste processo, permitindo novas formas de interação e uma personalização mais avançada.

Contudo, a executiva sublinhou que a tecnologia só produz resultados quando está integrada numa estratégia coerente.
A substituição de plataformas informáticas sem uma revisão dos processos empresariais poderá deixar por resolver problemas fundamentais da organização.

Passageiros mais informados e maior capacidade de decisão

A experiência dos passageiros constituiu outro dos temas centrais da entrevista. Ursula Silling recordou estudos realizados ao longo da sua carreira em diferentes companhias aéreas, nos quais a comunicação durante situações de irregularidade operacional surgia repetidamente como motivo de insatisfação.

Um atraso, uma alteração de porta de embarque ou o cancelamento de um voo pode desencadear dificuldades que se agravam quando a informação não chega aos passageiros em tempo útil. Tradicionalmente, muitas destas situações dependiam de anúncios nos aeroportos ou de comunicações que nem sempre eram recebidas simultaneamente por todos os intervenientes. A responsável explicou que os sistemas atuais permitem ultrapassar parte dessas limitações através de notificações digitais e mecanismos de comunicação em tempo real.

Mais importante do que transmitir uma mensagem, porém, é dar ao passageiro capacidade para agir. Num cenário de cancelamento, por exemplo, o sistema poderá apresentar diferentes alternativas de viagem, permitindo ao cliente selecionar a opção mais adequada às suas necessidades. Desta forma, evita-se que o passageiro seja automaticamente transferido para uma solução que não corresponda às suas preferências. A mesma lógica pode ser aplicada aos trabalhadores da companhia. Tripulações, equipas de assistência em terra e centros de operações podem receber informação atualizada de forma coordenada, reduzindo atrasos de comunicação e permitindo uma resposta mais rápida.

Segundo os dados divulgados pelas empresas, as plataformas da 2e Systems processam anualmente mais de 1,6 mil milhões de notificações destinadas a passageiros e equipas operacionais. A dimensão deste volume de comunicações demonstra a importância crescente da informação digital na gestão diária das operações aéreas Para Ursula Silling, uma experiência de viagem verdadeiramente moderna exige que a comunicação deixe de funcionar apenas como reação a um problema e passe a integrar permanentemente a relação entre a companhia e o passageiro.

Proteção de dados e resistência das companhias aéreas

A Aviação TV colocou igualmente uma questão relacionada com a segurança dos dados pessoais. A utilização de plataformas externas para gerir reservas, enviar notificações e apresentar alternativas de viagem implica o tratamento de informação sensível, nomeadamente dados de contacto, itinerários e outros elementos associados aos passageiros. Foi questionado se a necessidade de partilhar informação com fornecedores tecnológicos poderia contribuir para a resistência de algumas companhias à adoção destas soluções. Ursula Silling afastou essa hipótese como explicação principal.

Segundo a responsável, as transportadoras estão habituadas a trabalhar com fornecedores especializados e reconhecem a necessidade de adotar medidas adequadas de segurança e proteção de informação. Na sua opinião, os principais obstáculos à transformação digital encontram-se sobretudo na estrutura tecnológica existente, nos contratos em vigor, na capacidade de gerir mudanças internas e nas prioridades estratégicas de cada empresa. A executiva considerou que as companhias podem beneficiar da experiência internacional de parceiros tecnológicos que trabalham com diferentes mercados e conhecem as expectativas de passageiros de várias regiões.

Contudo, a entrevista não aprofundou os mecanismos técnicos utilizados pelas empresas para garantir a proteção de dados, nem os procedimentos concretos de controlo de acessos, armazenamento ou partilha de informação. Trata-se de uma dimensão particularmente relevante num sector que depende cada vez mais da circulação de dados entre companhias aéreas, aeroportos, entidades governamentais e fornecedores tecnológicos.

Os aeroportos também podem beneficiar da transformação

Embora as companhias aéreas constituam atualmente o principal mercado da Branchspace, Ursula Silling reconheceu que as soluções desenvolvidas poderão ter aplicações noutras áreas da indústria. Questionada pela Aviação TV sobre a possibilidade de trabalhar diretamente com aeroportos, confirmou que essa expansão faz parte dos objetivos da empresa. A responsável explicou que as tecnologias de comércio digital e comunicação poderão facilitar a integração de serviços aeroportuários com a experiência de viagem.

Uma das possibilidades apresentadas consiste em permitir que determinados produtos e serviços disponíveis nos aeroportos sejam reservados ou adquiridos antecipadamente. Os passageiros poderiam, por exemplo, consultar ofertas comerciais, efetuar compras antes da chegada ao terminal e reduzir o tempo despendido em determinadas operações. Este modelo permitiria também criar novas oportunidades de receita para operadores aeroportuários e concessionários comerciais. A executiva destacou ainda o envolvimento da Branchspace em iniciativas de inovação da IATA relacionadas com a identidade digital.

O desenvolvimento de sistemas que permitam identificar passageiros e validar documentação através de soluções digitais poderá contribuir para simplificar procedimentos e reduzir a necessidade de verificações repetidas. Estas iniciativas exigem, no entanto, uma coordenação complexa entre companhias aéreas, aeroportos, autoridades de fronteira e entidades responsáveis pela proteção de dados.

A participação da Branchspace nestes trabalhos não significa que a empresa já tenha implementado comercialmente todas estas soluções em aeroportos. Representa, sobretudo, uma área de desenvolvimento com potencial de expansão.

Uma indústria que precisa de mudar a forma de trabalhar

Ao longo da entrevista, Ursula Silling insistiu numa ideia fundamental: a transformação digital da aviação não depende exclusivamente da disponibilidade de novas tecnologias. As soluções já existentes permitem realizar muitas das operações que as companhias pretendem oferecer no futuro.

O verdadeiro desafio reside frequentemente na capacidade das organizações para abandonar procedimentos tradicionais, integrar diferentes áreas de atividade e adaptar os seus modelos de negócio. A responsável reconheceu que estes processos podem avançar lentamente. As companhias aéreas operam num ambiente altamente exigente, onde qualquer alteração tecnológica precisa de garantir continuidade operacional e compatibilidade com sistemas utilizados por múltiplos parceiros. Ao contrário de outros sectores económicos, a aviação depende de uma rede internacional de infraestruturas, fornecedores, aeroportos e autoridades reguladoras.

Esta complexidade ajuda a explicar por que motivo a adoção de determinadas tecnologias pode demorar vários anos. Mas também reforça a importância de preparar antecipadamente as mudanças. Para a Branchspace, o futuro passa por soluções modulares, capazes de funcionar com diferentes plataformas e de acompanhar a evolução tecnológica das companhias sem exigir uma substituição simultânea de todos os sistemas.

A ambição é oferecer uma experiência digital mais intuitiva e personalizada, semelhante à de um atendimento individualizado, mas suportada por tecnologias tecnologias capazes de responder às necessidades de milhões de passageiros.

O significado desta transformação para a TAP

No caso da TAP Air Portugal, a entrevista com Ursula Silling permite compreender melhor uma dimensão do processo de transformação da companhia que raramente ocupa o centro do debate público. A discussão sobre a privatização tem sido dominada pela identidade do futuro acionista, pelo valor da operação, pela importância estratégica do aeroporto de Lisboa e pela preservação das ligações internacionais.

Contudo, o futuro da transportadora dependerá igualmente da sua capacidade de modernizar processos internos, melhorar a distribuição comercial, reduzir ineficiências e proporcionar aos passageiros uma experiência competitiva. O envolvimento da Branchspace Consulting no projeto Horizon mostra que esta preparação já integra a agenda estratégica da empresa.