Viajar de avião com um animal de estimação, sobretudo cães de grande porte, continua a ser um desafio para muitos donos. Entre o risco de transporte no porão, os elevados custos da aviação privada e longas viagens de carro, as opções são limitadas. A RetrievAir surge para preencher esse vazio, com um serviço aéreo concebido de raiz para o bem-estar dos animais.

“Chamamos-lhe uma experiência de viagem pet-first”, explicou Mark Williams, cofundador da RetrievAir, em entrevista à AGN. “Tudo é pensado primeiro para o animal e só depois para o tutor.”

A empresa opera como um serviço público de fretamento aéreo de nicho, dedicado exclusivamente a cães e aos seus donos. O modelo inclui cabines adaptadas aos animais e o uso de terminais privados, evitando a agitação dos aeroportos comerciais e reduzindo o stress durante todo o processo de viagem.

O mercado de viagens com animais está em crescimento, atraindo novos operadores. No entanto, a maioria depende de jactos privados ou serviços de charter dispendiosos. Segundo Evan Delvecchio-Williams, responsável de Marketing e Relações Públicas da RetrievAir, a empresa posiciona-se como uma alternativa mais acessível, com tarifas de algumas centenas de dólares, face a soluções que podem custar milhares.

Williams acredita que as grandes companhias aéreas dificilmente conseguirão replicar este modelo. “Não estão preparadas para lidar com animais”, afirmou, apontando factores como alergias de passageiros e receio de animais.

A ideia da RetrievAir nasceu de uma experiência pessoal. Williams divide o ano entre Toronto e a Florida e, durante anos, fez viagens de vários dias de carro para transportar o seu cão. Com mais de 30 anos de experiência no sector e fundador da antiga companhia Sunwing, decidiu regressar à aviação para desenvolver este projecto, em conjunto com o CEO Benton Miller.

A empresa garantiu 500 mil dólares em financiamento inicial após a sua participação no programa Shark Tank e pretende afirmar-se como uma solução intermédia entre a aviação comercial tradicional e os jactos privados, num segmento cada vez mais valorizado pelos donos de animais de estimação.